E lá se vão 22 primaveras

Perguntaram-me a respeito de como eu me sentia agora que tinha acabado de completar 22 anos. Pensei um pouco e respondi, “estou mais velha ué”. Não via nenhuma mudança além dessa.

Mas certamente muita coisa mudou. Em um ano aprendi muitas coisas, chorei muito, sorri tanto quanto, me decepcionei, perdoei, amei, desgostei, fiquei muito feliz, fiquei hiper deprimida. Me permiti realizar muitos desejos. Me permiti viver novas aventuras, antes reprimidas devido ao medo. Me permiti começar de novo e aceitar que sim, eu passei muito tempo achando que o que sentia era uma coisa e em um estalar de dedos descobri que era outra, totalmente diferente. Me emocionei com simples gestos.

Sai muito. Nossa como me diverti. Enchi a cara, e passei mal. Passei vergonha. Mas em compensação passei por tantos momentos maravilhosos. Dancei tanto, falei tanto, ri tanto. Cantei no karaokê como se fosse uma profissional. Entrevistei um profissional que admiro muito. Vi muito filme.

Renovei o guarda-roupa. Dei mais da metade dos meus brinquedos. Aprendi a desapegar. Desapeguei até de algumas pessoas. Aprendi a abrir mão, mas ainda tenho muito que aprender.

Tive muito ciúme e fui vítima dele. Fui traída. Fui perdoada. Perdoei. Gostei. Fui uma aventura. Tive várias. Gritei. Calei. Ouvi muita música. Fui nostálgica. Viajei. Li bastante. Conheci um lugar que me ajudou a evoluir, que me permitiu concretizar a minha fé.

Fui amiga. Conheci novas pessoas. Fiz novas amizades. Aprendi a não abraçar o mundo com as pernas e a desistir para conquistar. Me senti maravilhosa. Me senti o cocô do cavalo do bandido. Fiz várias caquinhas. Mas fiz muita coisa boa e certa. Comecei a exercitar a minha paciência e com ela a pensar mais vezes antes de falar.

Fui madrinha de casamento. Fui só uma amiga em um lindo casamento. Quis nunca casar. Quis casar. Comi muita besteira. Comi muita coisa que me fez bem. Comprei muitos livros. Muitos sapatos. Comprei um sonho de algum tempo. Cheguei até a voltar a me exercitar.

Fui feliz no trabalho. Fui promovida. Vivenciei conflitos internos sobre o que eu realmente queria para minha vida profissional. Fui sacaneada. Aprendi a jogar o jogo. Aprendi que não posso fazer alguém gostar de mim e acreditar em mim se essa pessoa não quiser.

Tantas mudanças. Tantas paixões em diversas áreas da minha vida. Tanta música. Tanta dança. Tanta alegria. Tanto aprendizado. Tanta pessoa que me ama ao meu redor. Tantos problemas. Tantos conflitos. Tanta inveja e maldade alheia. Tanta segurança e determinação. O ano passou e rápido.

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O vazio e a paz

É tão triste quando o vazio toma conta do nosso peito, fica uma sensação de nada. O rosa fica rosa, o azul, azul. O colorido não ganha cor. O preto e branco permanecem monocromáticos.

Ficamos o contrário de inspirados, ficamos sem motivação, sem paixão, sem beleza nos olhos, sem palavras doces e fortes na boca, sem saborear o verdadeiro gosto da manga docinha e suculenta.

Não nos arrumamos, não nos preocupamos. Não ligamos e nem conversamos. Ficamos assim, em uma inércia perturbadora para as almas ansiosas. Não tem romantismo, nem paciência. Aliás, não tem nem atenção, carinho e zelo.

Parece que o tempero é o alho, o óleo e o sal. Sim, o Sazón foi deixado de lado. No lugar dele vêm os pensamentos questionadores e irrequietos. Vêm as reflexões que fazem nosso cérebro funcionar a todo vapor.

Sabe aquela paz interior que nos faz fechar os olhos diante do mar e sentir o frescor da maresia levar todo o peso dos ombros embora? Ela nada tem a ver com esse vazio que preenche todo o nosso coração. Ela é o conteúdo que completa, que inunda que faz a gente acreditar que vale muito a pena viver e lutar diante das batalhas que escolhemos para alcançar nossos sonhos.

Essa paz traz paixão. Traz excitação. Traz alegria e beleza no olhar. Traz paladar mais aguçado. A visão mais definida. Traz o colorido neon. Traz o frio na barriga, os batimentos cardíacos mais acelerados.

Essa paz preenche a lacuna deixada pelo vazio que acolhe a solidão. Essa paz faz a gente pensar, de forma pura e lenta, no melhor que a vida tem a nos oferecer. Essa paz nos ensina a amar, a valorizar, a gozar o que melhor temos em nós.

Essa paz esta diante da gente esperando que o vazio dê espaço para que nele ela possa se aconchegar.

Andréia Homem

12/10/09