Respeito

Naquele momento nada importava. Ela estava diante dele perplexa, em choque. Não conseguia pensar em mais nada, a não ser que queria ir embora. Queria fugir dali. Como desejava ser uma atleta para sair dali tão rápido que ele não teria tempo de notar. Mas não era. Ela não tinha essa força, muito menos a habilidade. Ela ficou parada ali, só pensando. Parecia um pesadelo. Parecia que tinha acabado de ver o mundo se desintegrando. Começou a sentir uma dor no peito. Uma dor antes jamais vivida. O estômago foi embrulhando. A cabeça rodava. Uma tontura cercava todo o seu corpo. Ela estava estática. Mas tinha a sensação de estar gritando. Ela simplesmente não sabia o que fazer. Muito menos no que pensar. Não acreditava no que estava vendo, muito menos no que iria escutar. Olhou em seus olhos e mal podia crer no que ele, assustado, falava. Um olho castanho claro, forte, que antes representava momentos de admiração e felicidade. Agora eram olhos castanhos claro, fortes, que representavam a morte de um sentimento, pelo visto, nunca compartilhado. O respeito. Ele estava ali, diante dela, com toda a coragem do mundo, pronunciando aquelas palavras. Como ele podia fazer isso com ela? Que tipo de ser humano tão insensível era esse? Ele não tinha mãe, avó, ou família? Porque a certo ponto todas estavam passeando em um lugar bem longe e com um nome bem feio. De repente ela percebeu o seu rosto corando. Não eram bochechas rosadas, características da vergonha. Era outro tipo de vergonha. Era vergonha na cara. Começou a sentir o rosto queimar. E a sensação foi descendo até chegar aos pés. Seu corpo inteiro queimava. Não era um calor sensual. Não era um calor de susto. Era raiva, tudo o que ela sentia agora era muita raiva. Pulou no pescoço dele e começou a bater com tanta força contra o seu peito. Queria esmagar o que ele tinha entre as pernas, mas limitou-se a só chutar. Mentira. Ela queria ter feito isso tudo, mas não conseguiu se mover. Parecia uma estátua. Uma estátua com cor. A cor da raiva. Sua respiração ficou ofegante. Pressentiu que ia vomitar. Quando percebeu, seu vômito eram as palavras que saíam de sua boca sem o próprio controle. Marina começou a falar tudo o que sempre calou. Agora ela não teria medo. Não pensaria duas vezes. Falou, falou, falou e sentiu um alívio. Nossa, um alívio nunca imaginado. Aliás, se soubesse que se sentiria tão bem, teria feito isso há muito tempo. Ela tinha certeza, agora ele pensaria cinco vezes antes de fazer e falar aquilo para alguém. Mesmo que não fosse sensível a outro ser, ele aprenderia na marra a respeitar. Jorge trocara de posição. Agora era ele quem parecia perplexo e em choque. Estava ali diante dela. Não conseguia se mover. Não conseguia falar. Não conseguia acreditar no que tinha escutado. Esforçou-se para abrir a boca e balbuciar as palavras que apaziguaram aquela situação. “Me desculpa”. Foi tudo o que ele conseguiu falar. Marina sorriu. Parecia um sorriso de vitória. Seu semblante estava muito mais calmo. Então ela lhe pediu com muito carinho que jamais fizesse aquilo novamente. Ele consentiu com a cabeça. Antes de sair da sala de TV virou-se para ele e falou. “Tudo bem, esse não era o meu chocolate preferido. Vou lá na padaria comprar mais, quer algo meu amor?”

 

Moral: JAMAIS coma o chocolate da sua mulher durante a TPM dela. Marina foi boazinha. Se fosse o chocolate preferido, Jorge poderia estar morto!

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2 pensamentos sobre “Respeito

  1. Todo homem tem seu lado feminino, o problema é saber a hora certa de usar esse sentimento, pelo visto o Jorge não soube né. Mais nunca é tarde para aprender rsrsrs…

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  2. Nossa…realmente tem que ser muito macho para aturar nós mulheres… O melhor de tudo é saber que mesmo quando estamos sendo absurdamente malucas, eles aceitam e ainda pedem desculpas. rsrsrs
    Adorei

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