Vítima! Ahn?

Por que sempre nos vemos como vítimas?

Já percebeu que o primeiro sentimento que temos em relação a situações que nos desagradam é a sensação de ser uma vítima diante das circunstâncias? Nos magoaram, nos feriram, nos roubaram, nos agrediram, nos desrespeitaram, nos censuraram, nos proibiram!

Dificilmente conseguimos nos enxergar além de um papel de vítima. Afinal, quanta injustiça está acontecendo pelo mundo afora! Quanta conspiração do universo contra a nossa felicidade! Blá, blá e blá.

As vezes parece sim que uma nuvem negra anda acima da sua cabeça fazendo com que a lei de Murph atue de forma presente e pontual quando você só precisa de uma bela tarde de sol com pássaros cantando.

Mas pare e veja se não é você quem está se colocando nessa situação. Eu acredito no poder da mente aliado ao da fé. Acredito também que quanto mais nos afundamos nos vícios, nos medos e nas angústias, quanto mais nos acomodamos no imutável e nos achamos detentores da razão, é sim quando mais somos culpados e não vítimas.

E aí caro leitor(a), não tem jeito. Não adianta chutar a macumba. Rezar três “pai nossos”. Não adianta apelar para os santos, simpatias e afins. Não adianta sentar no sofá e reclamar o quanto o mundo é feio e como você já não tem mais forças para lutar.

O nosso primeiro erro ao se encontrar em uma situação difícil ou somente indesejada é achar que somos vítimas de uma fatalidade da vida. Ao contrário, somos mais culpados do que nunca. Somos nós os responsáveis pelas decisões que tomamos e somente nós mesmos podemos pedir ajuda e mudá-las.

E claro, para que isso aconteça deixe seu egocentrismo de lado e assuma que você errou e não tinha razão. Assuma que preferiu o “venha a nós” em vez do “ir até”.  Assuma que ninguém está sendo injusto com você. Só você tem a capacidade de armar o outro nessa pseudo-batalha.

Somos sim capazes de escolher caminhos melhores para nossa trajetória. Sua intuição está aí para isso. Ao invés de reclamar do que é ruim, valorize o que está funcionando muito bem, como a beleza das pequenas coisas que nos rodeiam.

Dear John

Não sei se o livro me tocou tanto por eu ter acabado de viver uma situação semelhante, ou por ter abordado dois temas que me afligem desde que nasci: a perda e a morte. Mas sei o porquê de eu ter comprado. Ele entrou no meu caminho duas vezes e me prendeu quando eu estava preparada para aceitar e refletir a sua lição.

Querido John de Nicholas Sparks me fez perder o sono. Em algumas horas devorei todas as páginas do livro. Pude imaginar cada cena em minha cabeça e viver cada emoção. Através dele pude testemunhar a história de um amor verdadeiro, onde mais que querer para si, é dar ao outro uma chance de ser feliz.

Recentemente vivi a experiência de trocar de estado. Há muito tempo me sentia sufocada pela vida que levava e então decidi fugir para o lugar aonde eu me sentia mais feliz e confortável. Saí do efervescente Rio para a organizada Curitiba.

Uma semana antes de viajar conheci uma pessoa que mudou os meses seguintes da minha vida. Pude degustar, pela primeira vez, um relacionamento à distância. Confesso também ter vivido este tipo de relação com os meus pais, com os meus irmãos e com os meus amigos. Porém, eu declaro: o mais difícil foi lidar com a saudade daquele que eu mal conhecia.

Insegurança, medo, saudade, fora a vontade de crescer e fazer tudo direito, para provar que podia dar conta do recado. Fiz planos e me entreguei de corpo e alma à vida que tentava na nova cidade e a paixão que morava na antiga.

A paixão é bem engraçada. Nos cega quando menos esperamos. Achei que vivia um sentimento verdadeiro e me doei. Sendo assim, fui amiga, o respeitei, e me entreguei como em anos não fazia. Foi quando provei o sabor da decepção.  Ele era mais falso que nota de três reais.

Talvez o livro tenha me emocionado muito nas partes onde eu revivi o medo e a tristeza do aeroporto, quando parti pela primeira vez. Ou a esperança e o compartilhamento de sentimentos vividos a distância, tentando tornar presente um relacionamento que morava do outro lado de uma estrada de quase 1.000 km de comprimento.

Ele também pode ter me emocionado bastante quando eu senti, junto ao John, a decepção ao ler a última carta de Savannah. E até mesmo, a dificuldade de um reencontro mais tarde, quando ele atestou que a vida dela tinha novos rumos.

Relacionamento é por natureza uma coisa complicada. É preciso muitos elementos envolvidos para fazê-lo dar certo. Inclusive os planos do céu para a nossa vida, que nos abstém totalmente do controle.

Este é um livro que nos faz repensar o amor verdadeiro. Nos faz sentir a magia e devastação de uma paixão de verão inesperada, onde a presença física e marcante, se torna minúscula diante das adversidades do tempo. Eu super indico Querido John, e também super indico para a mulherada uma caixa de lenço. Acredite, vocês vão precisar!