Cartas para Julieta

Para uma menina que colecionou amores durantes seus longos 22 anos de vida e até hoje não encontrou alguém que reúna tudo em uma só alma, assistir Cartas para Julieta com hipoglos nos olhos foi uma péssima idéia, afinal a experiência só podia acabar em lágrimas.

Sim, sou muito nova para declarar que tive muitos amores, porém sou uma pessoa tão apaixonada por tudo que faço que a intensidade dos meus sentimentos é expressa pela intensidade das minhas atitudes.

Cartas para Julieta é um belo romance com sutis tiradas de humor. Sophie é uma verificadora de fatos que almeja se tornar escritora. Noiva a um ano, ela viaja para Verona, na Itália, para ter uma “pré” lua de mel, afinal seu noivo é um Chef de cozinha que está abrindo um restaurante e logo não terá tempo para curtir o relacionamento.

Já na Itália, seu noivo tão apaixonado pelos vinhos e culinária local, prefere passar mais tempo provando novos sabores do que sua própria amada. Então Sophie se envolve em uma linda história de amor interrompida à 50 anos atrás, o casal Claire e Lorenzo.

Ao longo do filme você perceberá alguns clichês, como as belas paisagens, a história de uma paixão de verão, o arrogante mocinho, que sofreu dolorosa perda e a mocinha que está em uma busca pelo autoconhecimento e auto-aprovação.

Mas a vida quando vivida de forma natural, espontânea e apaixonada nos permite cenas tão incríveis e românticas como os filmes nos apresentam e isso torna cada clichê uma surpresa em nossa realidade.

As lágrimas e os sorrisos foram inevitáveis, definitivamente eu me identifico com histórias tão lindas e bem contadas. E por isso mesmo não desisto de um dia encontrar essa alma que está a passear por aí, essa alma completa, que para muitos é cheia de defeitos, mas para mim é perfeita.

E só para esclarecer o hipoglos ao redor dos olhos, uma pessoa muito especial, que me ensinou a apreciar a bela Toscana e a reafirmar meu verdadeiro amor por lindas e encantadas histórias de “Happy End”, também me deu essa dica para diminuir as olheiras. Meu irmão diz que eu pareço “uma panda”, mas isso não importa afinal só estou preservando a beleza que a natureza me deu. Eu super indico esse filme!

Quando o dia ficou nublado

Nós estávamos lá sentados, um de frente para o outro. Eu podia ver em seu olhar, estava abatido e com olheiras. Respirou com força, fez um ar de não tem mais jeito. Pegou a minha mão, levantou os olhos. Nem a lente do óculos conseguia disfarçar a certeza que transbordava daqueles pequenos círculos castanhos no momento em que me disse as palavras mais dolorosas que já ouvi. A minha visão começou a embaçar, a cabeça girava. A garganta fechou, parecia que um nó cessava todos os caminhos pelo qual o ar poderia passar. Suas mãos estavam estáticas, ao contrário das minhas, que tremiam de nervosismo. Eu podia ver a lua por trás dele, era a lua cheia, uma enorme bola amarelada, se destacando em um céu limpo, sem estrelas, que marcaria um dia nublado, igual ao que minha alma representava. Meus ouvidos se fecharam. Eu me sentia flutuando, era como se estivesse fora do meu corpo. Podia ver seus lábios se mexendo e me pedindo para reagir. Nada mais fazia sentido para mim. Em um ímpeto de fuga e desespero larguei tudo naquela mesa de bar e corri o mais rápido que pude em direção a orla. Nem quando estive na minha melhor forma consegui correr tão rápido como naquele momento. Eu senti cada farol piscando contra a minha pele, cada freada ao meu redor. Corri com tanta força e determinação, como se estivesse competindo uma maratona pela minha vida. Foi então que tive a primeira sensação dos pés na areia. Eu fui enfraquecendo e a areia cumpriu com a sua obrigação, foi ponto a ponto alcançando o meu joelho. Eu estava lá de joelhos, sentada em cima dos meus pés, olhando aquele imenso mar escuro. Era assim que eu me sentia: um imenso, profundo e mar escuro. Meu rosto começou a esquentar, e me dei conta que as lágrimas já não obedeciam mais. Elas caíam uma atrás da outra. Em pouco tempo já estava a soluçar. Sentia a brisa do mar resfriando a lágrimas que desciam pela minha face. Meu cabelo voava, junto com a minha sanidade mental. Então o inacreditável aconteceu, senti dois braços firmes me envolvendo, me acolhendo, era Leo, que tentando me acalmar sussurrou em meu ouvido que estaríamos juntos até o fim e que iríamos superar aquela dor. Iríamos superá-la juntos. Ele estava ali. Por mim. Ignorando a dor que a perda do nosso filho também lhe causava.

Por Andréia Homem, ao Som de Angel, Sarah Mclachlan.

 “In the arms of the angel

Fly away from here

 From this dark cold hotel room

 And the endlessness that you feel

 You are pulled from the wreckage

Of your silent reverie

 You’re in the arms of the angel

 Maybe you find some comfort here

 You’re in the arms of the angel

 Maybe you find some comfort here”