A paixão me pegou…

As vezes me pergunto a origem do meu medo de me apaixonar. Será que veio da minha ansiedade crônica?  Ou do meu incontrolável desejo de ser livre? Talvez tenha nascido do meu maior defeito: pânico em estar aberta e vulnerável, pânico em não conseguir ser a pessoa mais forte e decidida que já conheci.

É tão gostoso você estar completamente a vontade com alguém, rindo, brincando, sentindo emoções variadas e intensas dentro do peito ou na boca do estômago. O que você fala é espontâneo, quer agradar, quer encorajar, quer ser suporte ao mesmo tempo que clama por ser “suportada”.

São tantas regras a serem seguidas, tantos conselhos oriundos de grandes experiências de vida. Como saber se o que faz e sente é natural? Como não ter medo de errar os erros dos outros? Como acreditar que não somos culpados por sermos tão felizes?

Vai devagar! Demonstre o que sente! Não seja tão fácil! Não banque a difícil! Está muito rápido! Ele está te enrolando! No início são flores! O final é sempre ruim! Não seja tão boba! Não seja tão esperta!

A todo tempo temos influências externas que, se não demonstrarmos quem manda, logo irão ditar nossas atitudes. São dicas e formas de maquiar, de tentar controlar o sentimento do outro quando na verdade só precisávamos ser amigos, companheiros, apaixonados e respeitosos.

Tenho medo de desistir de mim por outra pessoa. Assim como tenho medo de não conseguir fazê-la feliz da maneira que merece. Tenho medo de confiar no amor ofertado, assim como tenho medo de não saber exatamente o que sinto.

Acho que no fundo o medo vem da falta de controle sobre o meu corpo e a minha cabeça, sobre os meus sentimentos e as minhas atitudes. Fiquei tão acostumada com os problemas e obstáculos que a vida me propôs, que me pego com medo de ser completamente feliz.

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2 pensamentos sobre “A paixão me pegou…

  1. Muito bom o texto, o medo de se apaixonar cabe a todos nós, todos sa sofremos e sofreremos por amor. Seja correspondido ou não, as sensações que esse sentimento nos proporciona são viciantes e aterrorisantes, um paradoxo que não temos como escapar.

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