De Verdade!

 

Ontem eu estava conversando sobre a verdadeira abertura de guarda, quando você realmente deixa a alma se envolver. É uma entrega completa e arriscada, um tiro no escuro.

As cicatrizes que as experiências deixam na nossa formação pessoal influem de forma direta e concisa em nossas atitudes e sentimentos. Ficamos mais fortes, preparados e muito menos envolvidos.

Com certeza isso deriva dos traumas. Primeira decepção com alguém, primeiro desrespeito recebido, primeira agressão, primeira traição de confiança, primeira queda feia seguida da fase: Acho que vou morrer de tanta tristeza.

Tudo isso nos faz mais resistentes e de novo MENOS envolvidos. Vivemos a vida da maneira mais confortável, mas esquecemos de vivê-la com intensidade e devoção. Trocamos o desejo pela estabilidade e o resultado é uma passagem pela terra bem mais ou menos.

Essa semana minha cachorra morreu. Linda, jovem, saudável, alegre e iluminada. Ninguém poderia imaginar um fim (que não é fim) tão repentino. Lili era o meu bebê, eu era completamente devota a ela. Seria capaz de morrer para não vê-la sofrer. Mas nada pude fazer quando seus batimentos cardíacos foram de 120 para Zero após a castração.

Ela me fez abrir a guarda. Mudei minha rotina e me adaptei ao papel de mãe. Só Deus sabe o quanto era mágico o momento que eu a deitava em meus braços e olhava os seus lindos e brilhantes olhinhos castanhos. Nossa, como sinto falta de abraçar e beijá-la!

Sei que vou reaprender a conviver com a sua ausência, mas também sei que no meu peito há algo diferente de tudo o que já senti. Há um vazio completamente inexplicável.

Todas as vezes que nos envolvemos de verdade corremos o risco de sermos muito infelizes. Embora seja correndo esse risco que conquistamos a felicidade plena.

Na verdade não há regras, a bola rola e torcemos para fazer o gol. Algumas vezes bate na trave, porém em outros momentos fazemos história com o balançar da rede.

Sempre me questiono o porquê de nos tornarmos tão duros e cautelosos. Por que nos agarrar na zona de conforto e segurança em vez de tentar uma sensação diferente? Dói e sempre irá doer tanto a presença quanto a ausência. Mas é melhor sentir uma dor, do que não sentir nada. A insensibilidade retira o que ainda resta de humano em nosso corpo.