A Vingança

“Um ano certinho se passará desde o último encontro. Já não sabia mais como abordá-lo, afinal tinha certeza de que ele há muito tempo se esquecerá de seu rosto. Mas não importava, o seu sangue fervia de raiva e o seu coração pulsava com força. Não sabia se caía em lágrimas por ter sido abandonada por um moleque, ou se refazia seu estado de espírito para ir de encontro ao corpo daquele que, mais velho e mais maduro, um dia (e uma noite) a tinha feito esquecer que existia um mundo do lado de fora de um quarto. Apesar de pertencer a um solteiro de 44 anos, aquele refúgio permitiu que lágrimas e gemidos de prazer se misturassem, tornando-se uma só emoção. E era isso que a dava forças para seguir adiante, passo por passo naqueles saltos de 11 cm de altura por um de espessura. Ela chegou cinco minutos adiantada em relação ao horário combinado no bar, mas ele já estava lá e a reconheceu. Seus olhos se encontraram, ele sorriu, ela esboçou a tentativa de um sorriso. Ao chegar na mesa sussurrou em seu ouvido, “vamos embora, não temos tempo a perder”. Imediatamente ele pagou a conta, envolveu as suas costas (pouco acima das nádegas) com o seu braço direito e a conduziu para aquela que seria uma noite inesquecível. Não trocaram uma palavra durante o trajeto. Lá fora buzinas e o barulho dos carros se tornavam segundo plano diante de seus pensamentos. Já não sabia mais transar com outro homem. Já não queria mais transar com outro homem. Mas aquele moleque, ah aquele moleque, ele merecia, merecia e muito ser esquecido. E também não ia voltar atrás, fez depilação completa, comprou calcinha nova, vestido novo e sapatos novos. Ele estacionou e logo saíram do carro. O caminho do carro até o elevador do estacionamento foi em silêncio. Subiram e quando enfim eles entraram naquele apartamento ela mal podia conter o seu nervosismo, sabia que tinha que ter tomado o seu passiflorine antes de sair, porém ficou com medo de cair no sono e queimar o seu filme dormindo em um momento que era para se acabar de prazer. Tudo ficou mais fácil quando ele, um cara experiente e seguro, a encostou na parede e a beijou, calmo, suave e intenso. Seria hipocrisia fingir que não estava gostando, aquele ato reacenderá algo que parecia não existir mais em seu corpo. Correram para o quarto, de forma rápida, e se despiram. Quando ele se preparou para penetrá-la o inevitável aconteceu, ela caiu no choro, soluçando e balbuciando pedidos de desculpas. Ele como sempre secou as suas lágrimas com os seus dedos, sentou ao seu lado e a recostou sobre o seu peito. Sem dizer nada a fez sentir segura e amada. Ela se enganara, não precisava de uma tórrida noite de sexo, precisava ser olhada, respeitada, admirada. E depois de conversas intermináveis, taças de vinho, e fondue de chocolate com morangos, ela se entregou a ele novamente. Ele que era o seu porto seguro, a sua esperança de um dia ser feliz com alguém.”

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