Temperamentais

“Zé estava lendo o caderno de Esportes do jornal O Globo sentado em sua cadeira do papai. Ele adorava esse caderno, pois de um lado era esportes e do outro, Economia. Quem olhava achava que ele era um homem de negócios, importante, e não mais um cara fútil e só preocupado com o seu time, que tinha perdido na última rodada do brasileirão. De sobressalto pulou da cadeira e derrubou aquele monte de páginas, Aninha entrava esbaforida pela porta da sala com uma energia estranha e um saco da Drogas Raia em suas mãos. Andando a passos rápidos se limitou a dizer FODEU! Trancou-se no banheiro e explicitou o seu nervosismo ao derrubar o pote das escovas de dentes, dar uma topada na lixeira e xingar quem teve aquela brilhante idéia de encher a pia com tanta porcaria: maquiagem, perfumes e secador de cabelo. Zé percebendo que algo estava errado bateu devagarzinho na porta e tentou averiguar o motivo de tanta agitação. Já tinha um mês desde a última visita mensal, certamente eram os seus hormônios aflorados. _ Droga, acabou, nunca mais a minha vida vai ser a mesma. Como eu pude deixar isso acontecer? Logo eu, uma mulher linda, na flor da idade. _ O que foi amorzinho? Zé já suando frio perguntava a ela – definitivamente não era a TPM. _ O que tinha na sacola? _ O resultado da minha inconseqüência Zé, da minha falta de controle. _ É, hum, calma, seja o que for nós resolveremos juntos. Bosta, como eu pude engravidá-la?! Logo agora que ia trocar de carro e comprar o X-box! Merda, merda, merda! Deixa eu entrar, deixa eu ver! _ Não Zé, você é a última pessoa que quero ver agora. _ Amor para com isso, nós estamos juntos nessa. _ Não Zé, espera mais três minutos, ainda não tenho coragem de encará-lo. _ Por que três minutos? O resultado ainda não apareceu? _ Não Zé, demora cinco minutos! _ Ufa, vai dar negativo, vai dar negativo, vai dar negativo! _ Falou alguma coisa? _ Não, só pensei alto. Então, já deu o tempo, e aí? _ Não sei. Não consigo avaliar. _ Como assim? Vê – Aninha finalmente abriu a porta – elas parecem iguais? _ Elas quem? As listras? _ As sobrancelhas né Zé! Elas estão da mesma cor? Maldita cabeleireira, nunca mais volto naquela espelunca, quase acabou com a minha vida! _ Anh? Então, você não está grávida? _ GRÁVIDA? Que grávida Zé? Você está maluco?! _ Porra Aninha, você é de foder! Zé saiu andando para não esganá-la. _ “Eu hein, esses homens estão tão temperamentais hoje em dia…”

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