Mas há males na vida que vem para o bem…

tumblr_m4a4iyLDIK1qknarko1_500Ela amanheceu se sentindo gorda. Na verdade estava inchada, era a semana da fatídica menstruação. Também não se sentia muito feliz, fazia três dias que seu noivo não falava com ela. O motivo? O mais banal de todos, sinal que ele estava arrumando mais uma desculpa para não se comprometer.

Tomou banho e foi fazer exames. Logo pela manhã o diagnóstico: – você não tem nenhuma doença, virose ou algo semelhante. Você só está fazendo uma crise nervosa, tem se estressado muito?

(Piada, né? A minha chefe me odeia, gasto cinco horas do meu dia no trânsito – dentro de um ônibus cheio, o meu noivo não quer se comprometer e ainda estou gorda) – Me estressado muito? Não, deve ser o trânsito. – Então eu aconselho a você procurar um psiquiatra, deve amenizar essa ansiedade do trânsito.

Foi para o trabalho. (Psiquiatra? Ele falou que eu preciso de um psiquiatra! Será que ele me acha louca? Será que eu sou louca? Sempre soube que não era muito normal, mas louca? Meio extremista, não?!)

No fim daquela tarde foi pagar suas contas em um shopping longe do trabalho e de casa, ficou 40 minutos em pé, esperando um ônibus e o pegou lotado. Teve que passar mais uma hora e meia em pé, sendo espremida entre trabalhadores suados e o calor de 42 graus do RJ. Que dia! Mal ela sabia que ele ainda podia piorar.

Desceu do ônibus, caminhou até a entrada. Bem em frente ao Bob’s e ao lado da Playland, escutou o som de mensagem recebida no celular. Seu coração palpitou, podia ser algo importante ou a operadora do seu celular oferecendo, pela milésima vez, a recarga de crédito (será que eles não sabem que é de conta???). Definitivamente não era da operadora, a mensagem tinha remetente, e era o Tadeu rompendo o noivado.

Semana do Natal, o shopping cheio e ela ali, parada, chorando, se sentindo sufocada, sem saber para que lado ir. Horário do rush, pessoas para todos os lados e nenhum ombro para chorar. Sentiu um aperto no peito, um enjoo, queria colo e estava ali, perdida, que nem uma criança se sente quando solta a mão da mãe em um bloco de carnaval.

Carlinhos, seu pai, foi a solução. Ligou para ele desesperada e pediu socorro. Ele atendeu prontamente e foi busca-la, preocupado e com aquele sentimento que sabia que isso um dia iria acontecer.

Quando chegou em casa foi correndo para o banheiro. Entre vômito e diarreia foi secando as lágrimas, oscilando momentos de silêncio com soluços e aqueles ruídos típicos de quando se abre a boca e começa a chorar com força.

Sua cabeça estava a mil, não sabia o que sentia, então tomou dois comprimidos do calmante indicado pelo médico e desmaiou na cama. Acordou com o terceiro toque do despertador. O sono era tão pesado, que não escutou os dois primeiros toques. Era hora do banho, do trabalho e daquela rotina diária.

Se olhou no espelho e estava um trapo, os dois olhos estavam completamente inchados. Qualquer um que olhasse para ela saberia que a noite tinha sido de muito choro, ou de briga de rua, mas do jeito que ela era boba, todos saberiam do choro. Droga, não tem maquiagem que disfarce isso! 

Os olhos inchados deixaram espaço para duas olheiras fundas e uma barriga menor. Peraí, uma barriga menor? Se pesou, ela tinha perdido 3 kg. TRÊÊÊS QUIII-LOOOS!!! Esqueceu que não comia há dois dias e depois da sessão nervosa, com horas no vaso e abraçada a ele, conseguiu o milagre das celebridades, emagrecer 3kg em dois dias!

Ela olhou para cima (tinha a sensação que se olhasse para o céu, Deus a ouviria melhor) e agradeceu aos bons anjos do corpo em forma. Não sabia  mais se estava triste, decepcionada, ou até mesmo magoada. Estranhamente ela se sentiu melhor, mesmo ainda abalada. Suspirou, se olhou no espelho e falou para si mesma: Vida nova, é hora de caminhar sozinha, vai dar tudo certo, afinal, você está magra! Pega o corretivo, a base e o pó, nada que um lápis de olho, um rímel e um blush não resolva. Até porque, há males na vida que vem para o bem…

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