A culpa é minha

dedoO problema está em mim. Só pode estar em mim.

Não é que eu me arrependa das experiências que acumulei, com certeza elas são parte do que eu sou. Mas eu, certamente, evitaria vive-las de novo, porque de traumas carregados, já basta os que a vida impõe.

Então, apesar da culpa ser minha, eu não preciso ouvir que apesar de tão maravilhosa, eu nunca sou “A” mulher. Aquela digna de um mundo aos seus pés.

Culpa minha não exigir flores e jóias, quando um macarrão improvisado em um prato de plástico, em cima da cama, no quarto, já me surpreende e enche de alegria, porque ele foi feito para mim, da melhor forma que o cara conseguiu.

Culpa minha não precisar jantar em um restaurante caro para me sentir valorizada, quando ficar deitada de conchinha, sussurrando besteiras um no ouvido do outro, se beijando, já alimenta minha realização pessoal.

Culpa minha não te pedir o mundo, quando assistir um nascer do sol sentados na praia já me traz a paz interior que tanto se procura por aí.

Culpa minha não ser “A” mulher digna de dominar pensamentos, pois eu quase sempre estou acessível, no mundo real.

Eu sei, o problema está em mim. Não posso culpar o outro. Não posso esperar do outro que ele não seja o padrão superficial desse mundo moderno, mas seja único e real.

Eu nunca fui “A” mulher de ninguém. Aquela que sempre valeu a pena lutar, brigar, conquistar todos os dias.

Porque eu sempre deixei as pessoas tão a vontade para ir embora. Sempre deixei as relações tão zeradas de pendências, que, embora os caras sempre voltem (e voltam da forma mais cínica possível), eles nunca precisaram ficar.

Culpa minha não querer de qualquer jeito, a qualquer custo. Isso, pois só aprecio a companhia que está por livre arbítrio ao meu lado. Sorrindo, conversando, discutindo, se apoiando.

Mas não se preocupe em se defender, a culpa é minha, eu sei. Não é tão fácil lidar com tanta autenticidade, com tanta simplicidade. E mesmo que me faça falta uma atenção especial, a culpa é minha optar por estar sozinha a continuar acreditando em relações efêmeras e fracassadas, baseadas em mentiras e mimimi`s. 

Pode deixar que essa eu assumo. A culpa é minha e eu já aprendi a lidar com ela.