ELA Desistindo DELE

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Caca, não posso viver de promessas. Até porquê você é péssimo em cumpri-las. Ontem a noite ouvir da sua boca que sempre serei sua, que um dia ficaríamos juntos, inundou o meu coração de esperança.
Mas hoje, ao acordar, ao ver a foto da sua família unida, me fez perceber que para você jamais passarei de uma fantasia e para mim você sempre será um sonho impossível.
Te perdi no minuto que você cedeu as chantagens dela.
Já não dá mais para assistir essa vida de aparências ou não que vivem.
Não posso pensar em você todo dia.
Te amo. Amo como há muito tempo não sabia amar.
Porém não posso me permitir amar o homem de outra mulher.
Não posso me permitir amar sozinha, pois amo agarrada ao milagre de que um dia ficaremos juntos. E nunca fui do tipo que acredita em Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa.
Cedi aos seus beijos. Ao seu carinho. A sua voz. Ao seu abraço.
Cedi ao seu corpo penetrando o meu. A sua alma amando a minha.
Mas foram só momentos a dois. Momentos vividos à sombra de um segredo que nunca será revelado.
Não tive coragem de falar cara a cara. Por isso te escrevo.
Espero, sinceramente, que seja feliz ao lado dela. Para mim é hora de seguir em frente com a minha vida, com o meu coração.
Nosso amor nasceu no silêncio e lá ele morrerá.
Não me procure. Não me ame mais. Apenas siga o seu caminho, que seguirei o meu.

Beijos, Gatinha.

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Quando ELE se tornou AQUELE

post-34coisas-headerQuando foi deitar naquela terça a noite Marina não tinha ideia do que aconteceria. Há tempos sabia que quanto mais criava expectativas, mas se frustrava, logo ela realmente não esperava a surpresa que teria.

_ (sms) Instalei a TV, mas sou obrigada a assistir o que a vizinha quer. O receptor da Parabólica fica na sala dela.

_ Oi Gatinha, que droga ein, como você tá?

_ Estou bem, Caca e você?

_ Eu tô com saudades de você.

_ Ué, então vem me ver!

_ Poxa Gatinha, tô enrolado consertando o carro, posso ir quando acabar? Mesmo que seja tarde?

_ Duvido você vir e assistir o Programa do Ratinho comigo!

_ Eu vou e nem vamos ligar a TV!

E não é que ele foi?! Chegou meia noite. De banho tomado. Com aquele sorriso que fazia Marina se jogar direto nos braços dele.

Conversaram. Ouviram música. Transaram ouvindo música. Tomaram um vinho. Conversaram. Transaram. Petiscaram palitinhos de queijo parmesão. Continuaram conversando e ouvindo música. Transaram. E adormeceram abraçados, perna entre perna, a mão dele agarrando sua cintura, sua respiração arrepiando os pelos do pescoço dela.

Nina teve que levantar cedo e ir para o trabalho. Deixou Caca dormindo um sono pesado.

Naquela manhã ela só conseguia pensar no quanto estava feliz. Enquanto dirigia refletia que ele tinha tudo. Não era nem um pouco perfeito. Mas era Aquele cara que simplificava, que ouvia, que retribuía, Aquele cara de verdade que de alguma forma nas diferenças que existiam ele a completava.

Quando voltou para casa reparou que a cama estava bem arrumada. Seus olhos pesados de sono, devido a noite virada , fecharam com o sorriso espontâneo que se abriu, junto com uma expansiva e assustadora saudade que brotou em seu peito. Resolveu mandar uma mensagem:

_ Tô com fome! Ps.: Não acredito que você arrumou a cama melhor do que eu.

_ Tô engarrafado perto daí. Eu comeria um strogonoff de carne.

_ Então volta! Vou deixar você cozinhar para mim.

_ Boa idéia, tem os ingredientes aí?

_ Não, nem panela eu tenho.

_ Deixa comigo gatinha!

Então ele chegou com a carne, os temperos, o creme de leite, a batata palha, uma panela de pressão e um coador de pano. O mesmo coador que ela, frustrada, confessou uma vez que não achava para vender…

É, foi ali. Em pé, segurando o coador, com os cabelos despenteados (tinha acabado de sair do banho). Olhando Caca descascar e cortar uma cebola, que Marina teve certeza. Ela estava apaixonada. Meu Deus, como ela já gostava dele!