ELA aprendendo a ser só ELA

mulher-sentada-xicara-chaAs vezes a gente se faz de forte não para as pessoas pensarem que nós somos tão resistentes, na maioria das vezes fazemos isso só para tentar assustar a própria dor. Quem sabe assim ela não nos preenche por completo – Marina pensou, enquanto olhava a foto de um sorridente Caca no seu celular.
Sua cabeça doía, estava no meio de uma crise de enxaqueca, e mesmo assim não conseguia evitar o choro da tristeza. Discutia com sua própria mente que não precisava de lágrimas quando já estava tomada por tanta dor. Mas era uma DR vencida.
A vontade de sair daquela situação era mais forte, embora a saudade sufocasse seu corpo. Caca era como um vício, onde a desintoxicação era cheia de dias difíceis.
Marina passava horas inteiras confiante de que tinha tomado a melhor decisão, só que sempre vinha uma tarde, uma madrugada, um café sendo passado no coador de pano que a levava direto para o fundo do poço.
Tanta certeza era devorada pela fraqueza que a ausência dele causava em sua vida. Era um doloroso processo de desapego, de se livrar de um sentimento que a fazia mais mal do que bem.
Desligou o visor do telefone. Suspirou. Secou as lágrimas das bochechas e se levantou. Já era hora de parar com aquilo, sabia o quanto era forte e o quanto já tinha superado nos últimos 29 anos.
Saiu do quarto, entrou na cozinha. Olhou para o coador de pano, presente dele, protagonista de alguns cafés da manhã. _ Um passo de cada vez Dona Marina, um passo de cada vez! Recuou, virou-se para o armário e pegou o chá de maçã com canela, hoje faria diferente.
Sentou no sofá segurando a caneca fumegante. Encostou a cabeça e fechou os olhos. _ Você tem que conseguir, não há outra alternativa, eles são uma família, ELES!
De repente ela escutou o estridente som do interfone, Marina que não esperava ninguém sentiu a pele esquentar. Ficou receosa, mas foi de encontro ao aparelho amarelado preso na parede do corredor.
_ Oi?!
_ Gatinha, sou eu, posso subir?
O mais difícil da reabilitação é encarar o seu vício e resistir a ele.
Marina sentiu suas pernas tremerem e suas mãos suarem. Apoiada na parede foi acometida por uma leve tontura. Com os olhos fechados foi capaz de ouvir os fortes batimentos do seu coração, ele estava disparado.
_ Peraí, estou descendo!

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