Até quando o corpo pede um pouco mais de alma… a vida não para!

FILOSOFIA-CULBIOAs vezes tenho certeza que as pessoas estão com tanta pressa que ser superficial é a única saída.

O mundo tá girando, as horas diminuindo, e vejo que tudo tem que ser para o dia de ontem.

Por que ler a crônica da Martha Medeiros, se você pode gargalhar, refletir e pensar com a charge?

Para que ler as notícias se as manchetes e seus resumos já nos informam? Grandes reportagens? Não, estamos na fase dos Leads – eles já saciam a sede de conhecimento.

Por que parar e ficar olhando os pássaros voarem de um lado para o outro, o senhor sentar no banco da praça e ler o jornal, a senhora tricotar uma roupinha para o mais novo membro da família se você tem o celular com um mundo ligeiro passando diante dos olhos?

A foto do pássaro quase canta. E não há mais tempo de esperar para ouvir a música toda rolar.

Basta fazer um mix, remix, sei lá. Comanda o som DJ, não há mais graça em ouvir todo o Disco tocar. Lado B? Que isso ein?

O bom mesmo é a festa, a curtição, o álcool que te leva ao êxtase e te relaxa mais rápido.

Não há mais tempo para a meditação, para a leitura de um livro de papel, para a comida feita na boca do fogão.

Agora é tudo congelado, tudo artificial. Já foi época da banha de porco, agora é só Detox, corridas, spinning, trabalho, trânsito e blá blá blá.

Em qual das gerações ficamos assim? Vivendo no limite porque o amanhã a Deus pertence, mas sem viver, porque fazemos tudo com muita pressa, com pouco zelo, com uma qualidade suficiente para os megapixels do celular registrar no instagram.

Tantas mães maravilhosas. Tantas pessoas conscientes. Tantos justiceiros, mas naqueles cinco minutinhos de facebook, entre o grito, o choro, o xingamento, a guimba de cigarro no chão.

Foi na geração dos Baby Boomers, ou foi na X, Y ou Beta?

Quando foi que nos tornamos tão artificiais? Tão necessitados das coisas materiais? Tão cegos para o que é de verdade, tão sem tempo para o amor, o respeito, até mesmo para a dor?

Nem sofrer mais podemos. Porque dias tristes agora se chamam depressão, toma um Rivotril, um floral, ou qualquer outra coisa. Mas foge disso rápido, porque você tem os filhos, o emprego, o novo namorado.

Quando foi a última vez que você ficou parado, olhando seu cachorro brincar, mas sem ter um celular na mão para fotografar ou filmar?

Que esquisito esses novos tempos. Tempos de ar poluído, de água escassa, de muita tecnologia, de falta de calma.

Ando com vontade de voltar alguns anos, sentar no sofá da minha vó e bordar com ponto de cruz as telas e toalhinhas. Queria voltar para a bisnaga baratinha com manteiga e o suco de caju do café da tarde.

Quando foi que paramos de viver, para sobreviver e mostrar que estamos vivendo bem, dentro do que a nova sociedade julga que tem que ser? O “barato da coisa”, hoje, é ser superficial.

Só que eu tenho uma alma antiga. E os antigos me ensinaram que “o barato sai caro”!

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