Ela lidando com a decisão Dela

faxina2Como cortar pela raiz se já deu flor? Como inventar um adeus se já é amor? (choro seguido de soluço) Não quero reescrever as nossas linhas, que se não fossem tortas, não teriam se encontrado!!! (mais choro, mais soluço)”. Marina cantava, de forma desafinada, soluçava, enxugava as lágrimas e continuava a cantar, entre fungadas e as engasgadas que só quem já cantou chorando sabe como é.

Estava passando pelo processo do luto depois de enviar aquele email a Caca. Dessa vez ela estava muito decidida. Estava mesmo, mas ainda não sabia por quanto tempo e como conseguiria dar conta daquela decisão.

Claro que ouvir Sandy não ajudaria muito. Mas era um desabafo e ela precisava desabafar, nem que fosse para poeira que espanava dos móveis – era dia de faxina.

Não me deixe preencher com vazios, o espaço que é só teu! Não se encante em outro canto, se aqui comigo você já fez moradaaaaaa!”, essa música a Sandy escreveu para Nina, ela tinha certeza.

_ Ai meu Deus, me ajuda senhor, me tira desse luto, me faça esquecê-lo! (mais choro e soluço).

Marina queria esquecê-lo, seguir seu rumo, já tinha superado amores não correspondidos antes, sabia que era capaz, só não sabia como começar dessa vez.

Carlos também não facilitava, estava no café da manhã dela através do coador de pano e colorindo a parede branca da sala de estar naquele quadro torto; estava sempre sorrindo atrás da cortina de plástico do chuveiro; comendo o pudim de leite – seu preferido, encostado na pia da cozinha e reclamando da falta de água gelada.

Ele também estava na sopa de ervilha e em todas as vezes que ela olhava para aquela maldita panela de pressão, que só vedava com as mãos mágicas dele.

Daí Marina ia para a rua correr, tenta clarear a mente, espairecer, e lá aparecia Caca na playlist do celular cantando a música que ela mais gostava, na voz do cantor que eles mais gostavam.

Estava cada dia mais difícil. Sentia-se confusa. E para piorar o inevitável aconteceu, tocou o barulho de nova mensagem no celular, interrompendo a Morada da Sandy e a faxina da Nina.

_ Acabei de receber o seu email. Por que nos afastar de novo gatinha? Passamos uma noite tão gostosa juntos.

Marina caiu sentada no sofá, pensou se responderia ou não. Porém sua ansiedade a venceu, como sempre.

_ Porque estar com você é maravilhoso, mas o seu silêncio nos dias seguintes aumentam a distância que já existe entre nós. Fico aqui nutrindo nosso amor com palavras de uma única noite, os vários dias de solidão, enquanto você vive, normalmente, sua outra vida. É o eu silêncio que nos afasta, o seu descaso com a minha rotina, e não a minha decisão.

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