Gosto de me virar, mas adoro ser virada do avesso!

large (4)Eu conheço um rapaz que tem PAVOR de ser chamado de “amor”. Ele faz tudo pela mulher, cruza estados, resolve problemas, se preocupa, dá atenção e cuida. Mas basta usar a palavrinha do terror que ele se arrepia até na alma. Nem mesmo eu como amiga posso chamá-lo assim.
Acho engraçado. E digno de uma terapia intensiva. Porém não é para julgá-lo que fiz esse post.
Ando refletindo sobre aonde o amor foi parar.
No outro dia estava na loja em que trabalho e escutei, por diversas vezes, as frases “amor o que você acha?”, “olha amor que linda essa bermuda!”.
Trabalho na seção masculina da Zara. Nosso público é eclético. E essas frases e pura demonstração de carinho não vieram daqueles casais tradicionais (homem-mulher). Vieram daqueles que provam diariamente que sair da linha de raciocínio da sociedade é normal, saudável e muitas vezes mais verdadeiro que muito casal arcaico por aí.
Eles se amam e não têm vergonha de demonstrar. Eu mesma nem lembro a última vez que fui chamada de Amor. Confesso que senti certa carência e pânico nesse dia (trabalhar na Zara te faz achar que 95% dos homens gostam de homens e os outros 5% já são comprometidos).
O pânico virou um alerta. Tenho me sentido uma coisa. Não uma mulher. E continuei a pensar. E quanto mais pensei, mas desesperei.
A última vez que ganhei um buquê de flores foi há 4 anos, no meu aniversário. Agora o balde de água fria: ganhei das minhas amigas!
Ok, então é isso? Homem e mulher não compartilham mais as delicadezas do romantismo? Da preocupação um com o outro? Do carinho de pelo menos adormecer de conchinha? Viramos coisas?
Sim, tô ficando pessimista. Homem com homem e mulher com mulher tem sido mais real, mais cuidadoso, mais entrega.
E eu, eu mulher, que sou independente, que aprecio os momentos sozinhas, que me divirto comigo mesma e na hora do aperto me viro como posso, mas que não dispenso o carinho, zelo e preocupação de um olhar masculino, de um abraço apertado que só um macho consegue me dar, de uma conchinha, ou um pé se encostando no meu embaixo do edredom (só para eu me sentir mais segura dormindo), faço o que?
Virei uma coisa. Um corpo. Uma companhia legal (?).
Ei, também gosto de música brega. E de surpresas. Gosto quando o cara para tudo e me olha de um jeito que só ele me olha. Do sorriso que ele dá ao ver a Andréia, Andreiando. Gosto quando se preocupa em saber como vai a minha vida, ou o meu dia.
Gosto de me virar, mas adoro ser virada do avesso. Não dá para existir um meio termo?
Pode me chamar de Déia, Amor, Lindinha, Princesa, ou até Peste. Não me importo. A única coisa mesmo que me apavora é a banalização da relação homem-mulher.
Porque sexo é bom. Muito bom. Tipo essencial. E não tenho a menor vergonha em declarar isso. Só que ele não é tudo. Ele é parte. Ele é entrega. Intimidade. E quando você, homem/macho, coisifica uma mulher, sexo nenhum preenche o vazio que ela sente. Pois falta aquele misto de amizade, companheirismo e amor que não se vê mais por aí…Fica meio que faltando tudo. E você passa a ser uma coisa, da qual ela sempre se arrepende.

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Um pensamento sobre “Gosto de me virar, mas adoro ser virada do avesso!

  1. Que coisa boa Andréia! É o primeiro texto seu que leio e me sinto orgulhoso de ter sido seu professor. Um beijo e mais sucesso. Parabéns.

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