A dança e eu…

Não é incrível como as vezes nós temos certeza que superamos determinadas dores, que perdoamos e seguimos em frente, livres de qualquer amarra que uma mágoa possa gerar?!

Hoje eu descobri que eu não superei uma dor antiga, uma dor de 10 anos atrás. Dance Academy pegou a minha vida e a transformou em cada capítulo do seu roteiro. A partir de hoje pode me chamar de Tara Webster.

É estranho, apesar de ser sobre dança (Balé <3), eu nunca me interessei pela série, que ficou no ar de 2010 a 2013. Sem ter o que assistir desde que terminei Gossip Girl, resolvi dar uma chance para ela através do Netflix. Tudo estava lindo, até que me deparei com os piores sentimentos possíveis: mágoa, raiva, decepção, coração partido. 

Entrei em contato com uma dor que estava adormecida. Uma mágoa, uma tristeza, que eu nem lembrava que já tinha sentido. Me vi na pele da personagem e pude assistir de fora o que aconteceu comigo, foi como voltar no tempo e analisar cada escolha e atitude errada, cada insegurança, medo, cada decepção e frustração. 

Sei que carrego traumas dessa experiência passada. Sempre soube. A cada nova relação lutava contra esses traumas. Mas não imaginava que eu fosse reviver a dor. Aquela dor que me sufocava. A dor de ver o meu grande amor escolher uma das minhas melhores amigas como sua mulher. 

O homem, o único homem que me amou pelo o que eu era, como eu era, o único homem que me amou. Essa dor está viva e eu desconhecia a existência dela.

Não importa o quanto eu tente, esse é um vazio que jamais consegui preencher. “Talvez a parte mais difícil de se conectar com alguém é quando precisa deixá-lo ir, e manter a esperança dele encontrar o caminho de volta para você”, disse a protagonista no final de um dos capítulos. Ela não tem ideia de que ele não voltou e nem nunca vai voltar. 

Ela ainda não sabe, é apenas uma adolescente, mas no minuto que descobriu estar tão apaixonada, no minuto que decidiu ajudá-lo aonde ela achava que ele precisava, ela passou a ter muito medo de perdê-lo. E ela o perdeu de todas as maneiras, do melhor amigo ao namorado. 

Que bom que ela é só um personagem e não a protagonista do mundo real. Assim como eu sou, da minha desafiadora realidade. 

Me pego com medo de continuar assistindo e colocar para fora tanto sentimento reprimido, tanta lembrança que faria questão de nunca ter vivido. Estou com medo de assistir e ter certeza que o final será o mesmo do meu…

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