Marina colhendo o que plantou em Carlos

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Para: carlosmartins_79@gmail.com.

Assunto: Apenas Leia

Oi Carlos, tudo bem?
Você deve achar estranho esse meu contato. Levando em consideração que eu te pedi para sumir e nunca mais falar comigo.
Bipolar da minha parte, eu sei. Mas eu constantemente lembro de ti, mesmo tendo consciência que não nos falamos há meses e nada vai mudar.
Hoje faz um ano que eu decidi seguir em frente e deixar tudo para trás. Hoje faz um ano que troquei o calor do Rio pelo vento frio do Sul.
Sempre soube que não seria fácil recomeçar em outro lugar, porém menosprezei as dores que sentiria. Fiquei tão preocupada em fugir da gente, que não me dei conta que a mente é traiçoeira e jamais me deixaria esquecer do seu toque, dos seus olhos, do seu sorriso.
Cada livro, cada filme, cada casal que se forma e envelhece junto, cada pai solteiro cuidando de seu filho, tudo leva meu pensamento diretamente à você. Já são meses sem sentir sua pele roçando na minha. Sem me sentir segura com o seu abraço. E tudo o que penso é o quanto eu te queria por aqui, perto de mim.
A vida fica vazia sem um propósito. Sinto um buraco no peito quando deito a cabeça no travesseiro e me recuso a sonhar com você, com nós dois sendo apenas nós.
Durante muito tempo alimentei essa fantasia e como é difícil e dolorido ter que me que desprender dela.
Sinto sua falta. Sei que ainda preciso de ti para ser plena, para ser feliz. Embora sobreviva diariamente preparada para nunca mais te ver.
Espero que tudo esteja bem. Que sua vida tenha se ajeitado. E que a sua felicidade seja constante.
Não espero uma resposta e talvez assim seja melhor. Afinal, ter a certeza que você prefere me manter distante talvez me faça superar nosso amor, um dia.
Com carinho, Marina.

Com Licença

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Sinto lhe informar, mas não tenho vocação para ser enrolada.

Sou ansiosa demais e tenho paciência de menos.

Eu sei, tudo tem seu tempo.

Não só acredito nisso, como passei a cantar essa frase diariamente, como se fosse um mantra.

Quase uma terapia.

Porém um coisa é esperar o tempo certo e maneira certa, outra, totalmente diferente, é enrolar.

Ou é ou não é.

Ou vai, ou fica.

Ou gosta, ou deixa ir.

Se você quer, então faça, se não, nem atiça.

Enrolar é perder tempo.

E essa perda é o oposto de esperar o melhor momento.

Se há dúvida, melhor deixar para lá.

Ladainha. Mimimi. Blá blá blá.

Nada disso é comigo.

Gosto de atitude. Gosto do tête-à-tête.

Se vai enrolar, então chama a próxima da fila.

Porque eu já me ausentei dessa espera faz tempo.

Já troquei o emprego, o Estado e a paixão.

Graças a Deus, não tenho medo de me arriscar.

Tudo tem seu tempo e seu lugar.

E só quem não enrola ou é enrolado consegue de fato aproveitar.

Não nasci para esperar.

Nem esperei para nascer.

Sabia que era a minha hora e cheguei por aqui.

Existe uma força aqui dentro que me impulsiona, me motiva e faz caminhar.

A inércia me incomoda, e só faz o outro se acomodar.

Sendo assim não me enrola.

Não fecundei o óvulo por desejo dos meus pais.

Não obedeci o médico e aguardei os nove meses.

Não fiz o que esperavam de mim, nem insistir em uma vida que me entristecia.

Meu encanto morre com as falsas promessas e o olhar que não encara.

Por isso, definitivamente, não me enrola.

Afinal, com o tempo eu consigo te diagnosticar.

Ao menor sinal de enrolação, sou eu que vou te ludibriar.

Se me der licença vou ali rapidinho, não espere por mim, porque é claro que não vou voltar.