“Se a primeira impressão é a que fica, a última é a que pode botar tudo a perder.”

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A frase não é minha, é do Sérgio Calderaro, no livro Manual do Futuro Redator. Sim, eu ainda não desisti de viver da palavra escrita – então invisto todo o meu dinheiro em material sobre o assunto. 

Muito se fala sobre a primeira impressão e talvez por isso o mundo esteja assim, como posso colocar, um tanto quanto superficial. É a roupa (cropped, neon, rasgada), o sorriso clareado e alinhado, o carro e a bolsa da moda. 

É o corte do momento, a gentileza falsa, o nível intelectual avaliado pela graduação Federal no currículo. Nossa sociedade se preocupa tanto com a primeira impressão, que acaba deixando o resto de lado.

Veja bem, classifiquei o desenrolar como resto, quando na verdade ele é TUDO de mais valioso que alguém possa oferecer.

Porque ele é a verdade, a personalidade, a atitude, o dente trepado, o cabelo do verão passado, o conteúdo em profundidade.

Se a primeira impressão conquista, a última é a que determina se você vai ou fica. Tá, eu sei. Hoje tudo é efêmero, líquido e de processador rápido. Do último celular lançado, ao amor em sua essência que não é mais praticado. É, não sobra tempo para velhos hábitos.

Mas quem vai na contramão da correria, quem para, admira, respira, necessita da impressão realística. 

Esse alguém que precisa ir além do louvor ou confissões de pecado na igreja, é alguém que materializa suas palavras em ações, todos os dias.

Não há o que contestar, se a primeira impressão é a que fica, a última geralmente coloca tudo a perder. Afinal, assim como a mentira tem perna curta, sua imagem, com o decorrer do tempo, transparece no dia-a-dia. Pose, máscara ou texto decorado não são capazes de sustentar a maquiagem, mesmo aquelas que são postas à prova d’água. 

Agora levante, fique diante do primeiro espelho que encontrar, encare os seus próprios olhos e reflita: quais foram as últimas impressões que deixou por aí? E qual delas, realmente, permanecerá?

Você só tem essa vida para evoluir, vai viver de paliativos ou vai se curar? Porque, embora o mantra da vida pós-moderna seja a “realidade” virtual, que insistimos em registrar no instagram, eu sei que somos capazes de ir além.

Não só conquistar no primeiro momento, mas fazer toda essa coisa, seja ela a relação com o namorado, com o chefe no trabalho, no trato com o caixa do supermercado, uma verdade constante, um compromisso com o outro e nós mesmos. 

“O mundo – assim como os bons textos – é um moinho.”, Calderaro concluiu.

Portanto, já que começou com uma boa impressão, o mínimo que pode fazer é sustentá-la e fechar com a melhor delas.

Texto redondo. Imagem e atitude de mãos dadas num ciclo sem fim, rodando e rodando até a hora do juízo final – da sua consciência, claro. 

Aos que tem mais de 40 anos e vão ler o texto:

  • Instagram: rede social para postar fotos de momentos felizes, pais perfeitos e que brincam com seus filhos, comidas de dar água na boca, locais paradisíacos, foto no espelho da academia, selfies (fotos da própria pessoa, tirada por ela mesmo) planejados para mostrar os melhores ângulos do corpo, que geralmente acompanham legendas com frases de efeito ou bem humoradas. 

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