O melhor casamento

love

Como a boa escorpiana, que sou, me apaixono desde sempre. Com muita entrega e muita intensidade.

Sempre me vi apaixonada, pensando em alguém ao deitar. Sabe aqueles minutinhos antes de começar a sonhar?

Talvez por isso tenha um gosto musical brega e tanta necessidade de me expressar com  as palavras.

Sempre lutei (comigo mesma) para amar o outro e me amar, na mesma medida. Um conflito diário, que me fazia questionar tudo, desde o que eu sentia, ao sentimento expressado pelo outro.

Porém, quando você amadurece, percebe que muito do que procura fora é porque não encontra aí dentro.

Tanta paixão. Tanto amor. Tanta segurança e proteção que esperei do outro, no fundo, só eu poderia me dar.

Por isso nunca fiquei satisfeita.

Por isso minhas relações tiveram começo, meio e fim.

“Mas você é tão linda e legal, por que ainda está solteira?”, simples, ando perdendo o tesão com a mesma velocidade que tenho desapegado dos “somente hoje”. 

E, vamos combinar, sem tesão, definitivamente, não dá! Ele é a paixão que transborda através da pele.

Hoje não me forço (aliás, nem me permito) acreditar em expectativas criadas pelos outros e até mesmo por mim.

Hoje só me obrigo a me amar mais, a me olhar mais, a ter respeito por mim.

Um casamento consigo também é bem difícil de ser levado. Ser comprometida em me aceitar como eu sou, em valorizar o meu intelecto e o meu corpo. Conviver diariamente só comigo e encontrar na Andréia a companhia e parceria que ela tanto precisa, por vezes é enlouquecedor.

São desafios e batalhas que ora me levam as lágrimas, ora a uma incrível paz interior.

Eu sei, ainda tenho muito para caminhar, mas já me conscientizei que uma outra pessoa só me fará bem, quando eu estiver bem comigo e com o que espero da minha vida.

É muita perda do tempo encarnada, neste plano, ignorar a beleza interior que minha alma grita, só para não me sentir sozinha e desprotegida nesse universo barulhento.

Quantas vezes quis provar para o mundo que eu não era só mais um corpo? Que eu não era burra? Que não era eu o problema? Quando na verdade eu só precisava silenciar e provar isso para mim.

Aprendi com o livro “O Monge e o Executivo” que amar não é um sentimento, é um comportamento. Por isso declaro lúcida: sigo amando o próximo e prestando especial atenção nele.

Mas, neste momento, estou de corpo e alma, completamente, apaixonada por mim. Um comportamento adquirido, a maneira mais sábia que encontrei para ser constantemente grata e feliz. 

Amém!

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