Enquanto eu descascava o mamão…

mae-2Hoje, enquanto eu descascava o mamão, que já estava maduro o suficiente para apodrecer em questão de minutos – já tem uma semana que o comprei na feira, comecei a refletir sobre o seguinte fato: só damos valor a nossa mãe quando viramos donas de casa (não é quando a perdemos, como muitos podem imaginar).

Tudo começou com a ida, rapidinho, no mercado, na hora do almoço, durante o expediente do trabalho. Comprei copinhos plásticos de café para acomodar a gelatina. (sim, acho prático e não preciso lavar depois, é só jogar fora)

Cheguei em casa, brinquei um pouco com a cachorra e, sem tomar banho ou trocar de roupa, preparei a gelatina.

Ao guardar a bandeja com os copinhos na geladeira olhei para a couve-flor, que foi comprada no mesmo dia que o mamão e já estava suplicando que a cozinhasse.

Peguei a panela, enchi de água e cortei a couve-flor em pequenas árvores. Coloquei no fogão. Quando voltei suspirei e olhei para a pia. A louça do café da manhã estava carente, precisando de uma mão amiga, e comecei a lavá-la.

Fui enxugar a pia (TOC passado de mãe para filha) e tcharam, o mamão me olhou. Com tábua e faca na mão, parti para cima dele.

Descascar um mamão formosa com uma faca de carne, tirando só a fina camada de casca é uma verdadeira arte. Escorrega daqui, tira as sementes dali, consegui picar o mamão.

mae-5Neste exato momento lembrei da minha eterna e preferida madrasta, a Dimi. E pensei em todos os cafés da manhã que ela preparou para o meu pai e suas duas filhas (chatas).

Os finais de semana, a cada quinze dias (era assim que pais separados compartilhavam a guarda nos anos 90), eram de orgias gastronômicas. A noite era pizza ou restaurante.

Mas de manhã, Dimi acordava e ia na padaria. As vezes eu a acompanhava, as vezes ela ia e voltava e eu ainda nem tinha acordado (acredito ser uma mágica que mães fazem).

Ela sempre comprava o sonho de doce de leite, que eu adorava. Comprava os de creme também, para agradar as duas malinhas do Paulo (meu pai). Pão francês quentinho e frutas descascadas e picadinhas na mesa do café.

Só podia ser amor. Porque isso dá muito trabalho. Hoje EU SEI. Só com amor temos tanto cuidado e carinho, mesmo quando estamos cansadas. (as noitadas no bar e nos shows eram longas)

mae-1Fico me perguntando como a minha mãe (e a Dimi) conseguiu trabalhar fora, criar duas filhas briguentas, ter um marido, um poodle estressado e ainda dar conta da comida, da roupa e da casa.

Super-heroína, creio eu.

Eu sei, hoje não é o dia das mães. E tem muito pai que faz o mesmo. Assim como mulheres solteiras e homens solteiros.

Respeito todos vocês. Porque eu só tenho o trabalho, a casa e uma cachorra, e já me sinto exausta.

Sabe quando a sua mãe fazia cara feia quando você levava visita sem avisar? Você fazia birra e reclamava com ela. Mas olha, ela tinha razão.

É horrível receber alguém em casa e a mesma não estar limpa. É um saco não ter o que oferecer para comer, além de vergonhoso. Você sente que fracassou na vida.

Hoje já acordo arrumando a cama para ganhar tempo. E mesmo otimizando os meus minutos matinais ao máximo, levo cerca de uma hora para sair de casa.

Rodrigo Pandolfo, Paulo Gustavo e Mariana Xavier no filme Minha mãe é uma peça

Rodrigo Pandolfo, Paulo Gustavo e Mariana Xavier no filme Minha mãe é uma peça

Nunca mais reclamo que minha mãe acorda muito cedo. Nunca mais reclamo que ela manchou alguma roupa minha ao lavá-la.

Porque hoje EU SEI o valor de cada um desses gestos. Desde o valor-preço do alimento, ao valor emocional dele estar pronto para comer, dentro do prato.

São pequenas coisas. Pequenos detalhes, que para quem não carrega essa responsabilidade, simplesmente, acaba não percebendo, ou entendendo.

É, sou fã da minha mãe. E da mãe da minha mãe. E da minha Dimi. E de todos que aguentam essa rotina do dia-a-dia.

mulherPorque não basta fazer tudo isso, você ainda tem que recolher o lixo da pia da cozinha, que já está transbordando, catar o cocô do quintal, juntar as sacolas e separar para o lixeiro, que vai passar de manhã cedo, no dia seguinte. Tudo isso enquanto a couve-flor cozinha, escreve um texto (este), ou dá uma olhadinha de relance na novela.

Mãe, apenas uma palavra, OBRIGADA! Sério. OBRIGADA. De verdade, OBRIGADA, mesmo.

Agora eu tenho que ir, pois esqueci o pote sujo da marmita, que eu ainda tenho que lavar, dentro da bolsa…

Pesquise o significado

palavraA importância de se conhecer os significados das palavras e saber onde pesquisá-los:

Promíscuo, que deriva do substantivo feminino Promiscuidade, no dicionário Aurélio, significa “agregado (reunido, junto) sem ordem nem distinção; misturado, confuso”. 

 Já Promiscuir-se significa “misturar-se, mesclar-se”.

Mas no site Wikipédia, muito utilizado em pesquisas, “Promiscuidade denota um comportamento sexual desregrado ou sem regras determinadas, de sexo casual entre pessoas conhecidas ou não conhecidas entre si.[…] Promiscuidade também é uma forma de classificar pessoas sem inibições sexuais, cujo prazer está acima de preconceitos, tabus religiosos e/ou valores morais; Pessoa essa, que não tem vergonha de falar sobre ou praticar seus diversos fetiches sexuais.”

Ou seja, segundo o Wikipédia, você que pratica sexo casual e não possui inibições sexuais é promíscuo, ou seja, misturado e confuso. (Aqui vai um adendo, de fato, quando o sexo é bem feito rola uma mesclada, mas geralmente o casual não tem tanta conexão assim)

Acho que é o mesmo caso do emprego da palavra Vagabundo pela sociedade, que significa, de acordo com o dicionário Aurélio, aquele “que leva a vida errante; nômade”, mas que, popularmente, no feminino, identifica amantes, mulheres que transam com qualquer um e por aí vai.

Também tem as “cachorras”, as “galinhas”, etc.

Tantos nomes, definições e julgamentos e nenhum deles são bem fundamentados, assim como os pré-conceitos.

Interessante, não?