Shadow

Eu não queria ser assim:

8 ou 80. Intensa. Muito emotiva. Viver tudo à flor da pele: do ódio ao amor. Questionadora. Ansiosa. Na defensiva.

Eu não queria ser:

Resiliente demais quando se trata do amor. Quando preciso compreender o outro.

Eu não queria:

Perder o controle sobre as minhas emoções quando presencio uma injustiça, ou quando tenho que lidar com a falsidade ou maldade alheia.

Eu queria ser assim:

Essa menina sorridente que todos enxergam mim. Essa menina forte, que não sofre por homem. Essa menina, que muitas vezes se faz menina, para não precisar sofrer as consequências dos julgamentos ao se posicionar como uma mulher.

Eu queria sim:

Saber jogar o jogo da conquista entre os gêneros. Saber me impor como mulher, como um ser humano digno de valor e respeito.

Eu queria:

Ser essa mulher inteligente e forte, que esperam que eu seja 100% do tempo. Ser essa mulher que escuta grosseria calada e com um sorriso no rosto. Essa mulher que se permite ser conduzida, abrindo mão do controle. Essa mulher que medita e nada a tira do equilíbrio interno. A mulher que tem o andar firme da empoderada que dança o stilleto. A mulher que não se sente vulgar ao sensualizar. Nem se sente “ab-usada” quando um homem expressa tesão por ela.

Mas eu aprendi que não adianta querer ser o que não sou. Ou negar a sombra que existe em mim. Sou tudo isso em verdade, ou em potência. E quanto mais negar, pior eu fico.

Aprendi que é hora de encarar, sentir a dor de aceitar, ME aceitar e ouvir a voz que diz: está tudo bem, ninguém é perfeito, você sempre poderá errar.

Aprendi que não preciso dar ouvidos às críticas, valorizar os julgamentos, sempre aceitar e me adaptar, afinal o outro também pode se esforçar um pouquinho mais. Não preciso tomar para mim toda essa responsabilidade de ser a mais madura, a mais compreensiva, a mais flexível, a bonequinha de luxo.

Entendi que o segredo é me encontrar no meio de tantas expectativas. Enxergar quem eu sou, sem a constelação imposta a mim. Saber a hora de me transformar e a de não mudar em nada.

Porque sou um indivíduo. Um ser único em constante aprendizado. Sou o meu lado mais doce e o mais sombrio. E não é errado saber exatamente quando utilizá-los. Acima de tudo aprendi que o certo mesmo é amar todos os meus lados, porque eles são o que eu tenho de melhor!

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Talvez

Se eu parasse para descrever tudo o que sinto e penso talvez você mudasse de opinião.

Talvez você ficasse e me pouparia da angústia dessa espera. 

Mas acho egoísmo declarar amor a quem pensa mais em outra.

Prefiro ver-te livre para escolher ir para lá ou ficar por aqui.

Prefiro admirar a sua liberdade de ser você mesmo, sem se sentir obrigado a fazer nada.

Talvez por isso eu nunca seja “A” escolhida.

Afinal sempre prezo a sinceridade da presença, do carinho, da preocupação.

Nunca dei “piti”, exigi que alguém ficasse ou arrumei confusão.

Nunca fiz chantagem emocional.

Prefiro conviver com a ausência, a que ter que lidar com uma presença forçada.

Não se fica com alguém por isso ou por aquilo.

O amor não foi feito para se ter motivos.

 Se escolhe ficar com alguém, porque o dia, mesmo nublado, se torna colorido.

Porque embora problemas apareçam, a paz Daquele abraço, o conforto Daquele olhar, a proteção Daquele beijo, faz a TPM virar gargalhada.

E se alguém algum dia me perguntar: mas por quê Ele?

Porque minha pele reage imediatamente ao seu toque, porque mesmo as vezes querendo chorar, é só ele sorrir para mim que começo a também sorrir e superar.

Porque com ele consigo ser 100% sincera, mesmo não sendo o seu ideal de perfeição. Até porque, para estar com ele não preciso mudar, nem me adaptar. Aceito o que vem dele. E dou o melhor que posso dar.

Talvez você nunca leia isso, nem sinta um 1/3 do que sinto.

Talvez para você seja mais fácil, talvez não, seja mais difícil.

Talvez você nem tenha percebido o valor que possui na minha jornada.

Talvez nada disso faça sentido.

Mas parei para escrever, porque te desejo a alegria de um sentimento tão gostoso correspondido.

Desejo que os seus desafios te façam melhor.

E que você se mantenha assim, mesmo com traumas, um ser iluminado por uma energia positiva, uma energia que inebria, uma energia atrativa.

Tudo tem um porquê e não foi toa que passou pela minha vida.

Mesmo sendo o clichê de um passado amargo, sua lembrança é doce no meu coração e na minha mente, onde posso manter todos os nossos momentos guardados.

E talvez eu te mostre tudo isso, ou então deixe nas mãos do acaso..

(Texto escrito em Maio/2014)