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machismoEditorial – 09/03/2015 *Para maiores de 18 anos.

Estava em dúvida sobre escrever algo para o Dia Internacional da Mulher, comemorado ontem. Tive um misto de sentimentos durante todo o dia e todos os posts, então resolvi me calar.

Mas agora, ao ler uma matéria no jornal online, Folha de SP, que narra a falta de funcionários para preencher vagas em uma empresa do Rio Grande do Sul (por sinal, ela oferece benefícios como plano de saúde, cesta básica e plano em farmácias) mesmo quando as indústrias locais estão demitindo e o desemprego cresce.

Mulheres têm vergonha, seus maridos e pais não permitem que elas trabalhem lá, homens têm preconceito, porque é uma fábrica de artigos eróticos (vibradores, próteses, lingerie, etc) – isso ainda existe aqui.

Lembro de sofrer um certo receio por parte dos homens quando eu trabalhava com a Sexpert Tatiana Presser. Não sei se era medo de eu ser melhor na cama do que eles, ou se era burrice mesmo, por achar que eu era uma “piranha, vaca, safada” ou algo do gênero, só porque eu entendia MUITO bem do assunto. Isso porquê fazia parte da minha função pesquisar, assistir documentários (muito diferentes de filmes pornôs) e estudar.

Meu estudo, basicamente, foi com conteúdo Norte Americano e Europeu, porque no Brasil homem não vive sem pornografia, mas o machismo velado, que, inclusive, mora na cabeça de milhares de mulheres, torce o nariz para bibliografias sobre o assunto. É tudo putaria! Ops.. mas no Carnaval é arte.

Fiquei com nojo ontem, literalmente dormi com vontade de vomitar e não foram só essas palavras.

O Presidente é corrupto, então ele é um Filho da Puta (xingamento feito a uma mulher). A Presidente foi reeleita, mas hoje ela é uma Vaca (xingamento a mulher).

SEMPRE a mulher é a culpada. Não importa se naquele carro de insufilme escuro, que fez bandalhas e cometeu desrespeito no trânsito, o veículo era dirigido por um homem.

Eu poderia enumerar centenas de qualidades sobre a mulher. E posso ME parabenizar pelo dia de ontem, pela mulher ESPETACULAR, que sou.

Uma mulher que tudo o que quis conseguiu, sem passar por cima de ninguém, apenas com o próprio esforço: carteira de motorista (dirijo muito bem por sinal), diploma de Jornalista, independência financeira, moro sozinha (nunca sonhei em casar, mas sempre lutei e trabalhei para ter o meu próprio canto), cozinho, lavo, limpo (cuido bem da minha casa e alimentação), vou trocar de cidade para realizar um sonho, tenho autoestima e segurança na minha vida sexual.

EU, como muitas mulheres, já me senti desvalorizada sexualmente. Me senti e sei que fui usada. Porém nunca me permiti deixar de ser quem eu sou e fazer o que quero na hora que quero.

Já me enganei sobre muitos homens, e calo dores que relações pessoais ainda me causam. Tudo bem, sou uma pessoa que amo com fervor, me dedico e entrego. Isso é a receita para a pancada mais forte.

E, por tudo o que já vivi, cada anemia e doença quando minha imunidade caía no período menstrual, cada cólica de contorcer o corpo, e mesmo assim continuar trabalhando e ainda ouvir um, “Ih, nem fala com ela, já vi que está de TPM!”.

Por ter a minha beleza muito mais valorizada que o meu intelecto. E me senti suja. Um dos piores sentimentos para uma mulher.

Por já ter ficado em situações vulneráveis com um passar de mão na minha bunda, com um comentário maldoso, ou um pênis sendo esfregado em meu corpo dentro de um transporte público lotado. Onde chorei e quis morrer.

Eu parabenizo as mulheres.

A maioria de nós já passou por isso. A maioria de nós já desejou ter nascido Homem. Por que as vezes é muito cruel ser uma mulher, tenho certeza que o Negro também sentiu isso em relação ao Branco.

Não é incomum eu ser julgada por gostar de passar mais tempo na companhia masculina, do que feminina. Ou ter que ouvir, “nossa tá na cara que você está dando mole para ele!”, só porque fui simpática, FUI EU.

E me envergonho por todas as mulheres que calam sua sexualidade, suas vontades, suas personalidades para agradar uma sociedade tão hipócrita.

Tenho vergonha pelas mulheres que se perdem nessa confusão feminismo x machismo e são vulgares.

Também tenho vergonha das mulheres que se fazem de vítima e se colocam em uma situação de vulnerabilidade desnecessária. Somos todas capazes de lidar com as consequências de nossos atos.

Somos todas capazes de ser mães solteiras, ou uma simples mulher solteira.

SIM, precisamos de um abraço confortador, de um beijo quente e de uma mão amiga. Sim, necessitamos desse acolhimento, de nos sentir amada e desejada.

Mas tenho vergonha das mulheres que fazem chantagem. NUNCA quis estar com um homem sem que o mesmo quisesse estar comigo. Prefiro sofrer sozinha a ter que me encontrar em uma relação de aparências e mentiras, não sou egoísta assim, talvez por isso esteja solteira.

Assim como um homem precisa da delicadeza da mulher para aprimorar certas obras, a mulher também precisa da firmeza de emoções do homem, para ter racionalidade quando os hormônios falam mais alto. É uma parceria!

Então, declaro aqui minha vergonha pelos homens. Pois há uma ENORME diferença entre Sexo e Pornografia. Assim como o conto de fadas que as mulheres tanto suspiram, mas que sapo ao ser beijado não vira príncipe, um filme pornográfico é feito para encantar o homem e fazê-lo gozar.

O irônico é que um vibrador é feito para estimular a mulher e ajudá-la a gozar, mas esse é ultrajante. Um absurdo. Um pecado.

Que mundo esquisito esse. Um mundo onde uma pessoa que eu admirava muito escolheu publicar uma imagem onde as mulheres eram todos os dias homenageadas em um site de pornografia.

Faço gosto que todos os homens do mundo se masturbem ao invés de obrigar uma mulher a transar quando não sente vontade. É muito melhor se masturbar do que expor o pau a doenças e a vida diante de uma paternidade indesejada.

Aliás, se homens e mulheres passassem mais tempo se masturbando, do que um ferrando a cabeça do outro, só para conseguir orgasmos, ou uma vida de casados, o mundo teria pessoas mais felizes e menos rabugentas e frustradas.

Nós somos mulheres. Nós transamos. Nós nos masturbamos. Nós somos excelentes profissionais. Nós somos inteligentes, mesmo quando somos bonitas. Nós ficamos com preguiça de depilar as pernas e sofremos coceiras e alergias quando raspamos a virilha. Nós só fazemos tudo direito dentro de casa, porque não tem quem faça, o sonho da mulher é que o homem a ajude e divida as tarefas. Nós somos boas motoristas. Nós somos mães e pais quando é necessário, mas nossos filhos também precisam do pai. E nós não somos um buraco para o teu gozo. Nós gostamos de sexo, e as vezes o fazemos casualmente. Nós não somos piranhas por isso.

Infelizmente não posso falar por todas as mulheres, mas falo por mim e por muitas que conheço. Dormi enojada pela falta de respeito que ainda permeia nossos horizontes. Pela falta de tato. Pelo egoísmo. Pela insegurança.

Você que não dá a atenção e o carinho que sua mãe, sua amiga, sua irmã, sua filha e até a sua amante merecem, você mesmo, não se sinta injustiçado ou sufocado pela mulher CÃO que tem do teu lado. Você a ajudou a ser assim… com a sua pena, ou com o seu machismo.

Editorial – 13/01/2015

alex-1“Nós, seus pais, estamos escrevendo esta carta para pedir desculpas por não termos conseguido te proteger da violência de uma cidade abandonada e entregue à própria sorte.”

Isso é o que o Rio de Janeiro se tornou. Um Rio muito diferente do qual minha avó viveu. Um Rio diferente daquele que minha mãe cresceu. Violência sempre teve. Não nessas proporções. Corrupção e roubo também. Não nessas proporções.

O Rio era verde, hoje só é prédio. No Rio de hoje não há respeito, não há escolha, não há saída. Se conta com a sorte e reza. Trabalha, trabalha, trabalha e vê TODO o dinheiro ir embora em poucas coisas, coisas essenciais como alimentação, como transporte e educação.

As pessoas são mais estressadas e intolerantes, a grande maioria vive na base de medicamentos. Não, não tenho pudor ao falar que não gosto dessa cidade. Não gosto dos serviços prestados nessa cidade.

Tenho vergonha quando vejo que vão arrancar 300 árvores para construir um estacionamento no Flamengo (assim como fizeram na praia da Reserva para construir um campo de golfe). Tenho muita vergonha quando uma pessoa é sequestrada e feita refém e seu cão é jogado para fora do carro em um dos pontos onde o IPTU é o mais caro do Rio (Alfa Barra). Tenho muita vergonha do que fizeram com essa cidade que nem de longe é maravilhosa.

A vida aqui perdeu o sentido. Você sobrevive no Rio, não vive. Sorte daqueles que tem condições de passar um final de semana em Angra, curtindo um mar transparente, porque a grande maioria passa nas águas poluídas do Arpoador. Nem tanta sorte teve o rapaz Alex, que esperava um ônibus para voltar da Universidade, a Federal.

Amo algumas pessoas que moram aqui. Mas não aguento mais ser “assaltada” diariamente pela passagem do ônibus, pela água mineral no mercado, pela água de côco da praia.

O mercado de trabalho escraviza. Somos todos reféns. Reféns de se viver num ideal de cidade que não existe. Nossa cidade é suja. Nossas crianças são mal educadas. Aliás, os adultos também são. Se o pirão é pouco, meu prato primeiro.

Viramos vítimas da malandragem do esperto e do ladrão. Não há segurança. Não há consciência. O calor está desumano, mas arrancar árvores para construir vias e prédios é muito mais importante. Aliás, arrancar a árvore que atrapalha a visão das janelas ou que protege seu carro com sombra, mas vira o banheiro do passarinho, é muito mais importante. Cocô de passarinho no meu carro caro NÃO.

Houve uma forte inversão dos valores na sociedade carioca. Houve um grande descompromisso com a verdade. Houve a ignorância escolhida na necessidade de fechar os olhos diante das mudanças. Houve descaso dos governantes. É obra para todos os lados. Trânsito para todos os lados.

Obras terminam e recomeçam, porque foram mal feitas ou feitas errado. O lance é o lucro que elas dão. Esse é o Rio. Um Rio onde você morre tentando estudar, morre tentando trabalhar, morre nas filas e negligências dos hospitais públicos e particulares.

Todos estão sobrecarregados. A cidade está sobrecarregada. O Rio é a cidade que expulsou bandidos para os municípios vizinhos e fingiu que estava tudo bem, que a criminalidade tinha diminuído. Ficou pior lá, e aqui.

O Rio, uma cidade rica em história é o mesmo Rio que fechou por tempo indeterminado o maior Museu de História natural e antropológica da América Latina por falta de funcionários. Acredito que seja por falta de verba. Da mesma forma que construções coloniais cedem espaço para prédios de vidros espelhados.

O Estado do Rio de Janeiro, assim como a cidade do Rio de Janeiro virou uma grande piada de mal gosto. Parece um pesadelo, mas é só a nossa realidade diária. Estamos sim abandonados e entregues a própria sorte! Obs.: A maior parte dos fatos narrados foram as manchetes de hoje, 13/01/2015.

http://oglobo.globo.com/rio/lamentamos-nao-conseguir-seguir-que-te-ensinamos-nos-nao-perdoamos-15035968?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

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