Tá tudo bem

Como eu demorei para entender que está tudo bem, que o caminho é meu.

As escolhas são minhas. Os frutos e as consequências delas também são.

E está tudo bem não agradar todo mundo. Ser eu. Fazer o que eu quero, quando eu quero, do jeito que eu quero, sem me sentir na obrigação de ser a tolerante, a passiva, a que deixa para lá, a que harmoniza todos os ambientes.

Porque é bom demais fazer essas coisas pelo outro, menos quando nos sentimos obrigados a fazê-las, ou seja, menos quando nos sentimos responsáveis por elas.

Foi difícil compreender que para não frustrar o outro eu vivia frustrada.

Que eu reproduzia padrões, pensamentos, conceitos e sentimentos que não eram meus, mas que eu carregava nas costas, como se fosse uma bela mochila pesada.

É libertador insistir em se encontrar e não sossegar até abraçar a própria personalidade, a verdadeira identidade.

Quantas vezes chorei ao me impor ou me senti insegura ao posicionar minha própria opinião, como se eu constantemente precisasse validar o que sou ou como me comporto.

Eu não era eu. Eu era tudo o que queriam que eu fosse.

Daí brotou em mim uma urgente necessidade de me encontrar para saber me valorizar. Então, aprendi a dizer NÃO, sem culpa ou preocupação.

Mas ainda tô apanhando para desconstruir anos de influências que absorvi sem impor limites.

Estou apanhando para calar as vozes que não são do meu Eu interior.

Uma hora eu chego lá, sei disso.

Porque está tudo bem, hoje eu sei que as expectativas, a frustração e a decepção dos outros pertencem aos outros e não a mim.

Cabe a cada um lidar com o que é, com o que sente e com o que se quer ser.

E está tudo bem, tudo bem. 

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Shadow

Eu não queria ser assim:

8 ou 80. Intensa. Muito emotiva. Viver tudo à flor da pele: do ódio ao amor. Questionadora. Ansiosa. Na defensiva.

Eu não queria ser:

Resiliente demais quando se trata do amor. Quando preciso compreender o outro.

Eu não queria:

Perder o controle sobre as minhas emoções quando presencio uma injustiça, ou quando tenho que lidar com a falsidade ou maldade alheia.

Eu queria ser assim:

Essa menina sorridente que todos enxergam mim. Essa menina forte, que não sofre por homem. Essa menina, que muitas vezes se faz menina, para não precisar sofrer as consequências dos julgamentos ao se posicionar como uma mulher.

Eu queria sim:

Saber jogar o jogo da conquista entre os gêneros. Saber me impor como mulher, como um ser humano digno de valor e respeito.

Eu queria:

Ser essa mulher inteligente e forte, que esperam que eu seja 100% do tempo. Ser essa mulher que escuta grosseria calada e com um sorriso no rosto. Essa mulher que se permite ser conduzida, abrindo mão do controle. Essa mulher que medita e nada a tira do equilíbrio interno. A mulher que tem o andar firme da empoderada que dança o stilleto. A mulher que não se sente vulgar ao sensualizar. Nem se sente “ab-usada” quando um homem expressa tesão por ela.

Mas eu aprendi que não adianta querer ser o que não sou. Ou negar a sombra que existe em mim. Sou tudo isso em verdade, ou em potência. E quanto mais negar, pior eu fico.

Aprendi que é hora de encarar, sentir a dor de aceitar, ME aceitar e ouvir a voz que diz: está tudo bem, ninguém é perfeito, você sempre poderá errar.

Aprendi que não preciso dar ouvidos às críticas, valorizar os julgamentos, sempre aceitar e me adaptar, afinal o outro também pode se esforçar um pouquinho mais. Não preciso tomar para mim toda essa responsabilidade de ser a mais madura, a mais compreensiva, a mais flexível, a bonequinha de luxo.

Entendi que o segredo é me encontrar no meio de tantas expectativas. Enxergar quem eu sou, sem a constelação imposta a mim. Saber a hora de me transformar e a de não mudar em nada.

Porque sou um indivíduo. Um ser único em constante aprendizado. Sou o meu lado mais doce e o mais sombrio. E não é errado saber exatamente quando utilizá-los. Acima de tudo aprendi que o certo mesmo é amar todos os meus lados, porque eles são o que eu tenho de melhor!