E os nossos corpos e a nossa mente dançaram…

“Não dá para explicar, não dá para se preparar, só sentir…”

Eu que já tinha perdido a fé, que já não acreditava mais nos relacionamentos. Na possibilidade de viver uma química de pele tão intensa, tão profunda, tão real.

Nossos corpos se conectaram de uma maneira tão inexplicável, que realmente racionalizar colocaria tudo a perder.

Para nós foi concedida a sorte de apenas sentir e eu sou muito grata a isso.

Tantas frustrações. Tantas batalhas internas e externas. Tanto esforço. E de repente nossas mentes e nossos corpos não apenas de encontraram, como se fundiram.

Assusta perceber a velocidade com que tais sentimentos nos tomam.

Mas cada minuto de conversa, de toques e de sexo nos faz mais felizes, nos dá uma calma, nos relaxa a ponto de nos fazer dormir.

Logo nós dois, que há pouco compartilhávamos das dificuldades do sono.

O que antes era preocupação, agora é confiança no que está por vir.

Meu gozo nunca foi tão intenso. Minha pele nunca esteve tão arrepiada. O dia a dia nunca esteve tão leve.

É como se Deus me preparasse para a segunda jornada da vida, agora mais madura e acompanhada de tudo o que esperei, de tudo o que sempre, no íntimo, desejei.

De você.

Aliás, “Onde você estava esse tempo todo?”.

É a pergunta que, com um sorriso no rosto, sempre nos fazemos.

Quando reflito acho engraçado, porque mesmo com origens distantes, várias vezes nossas vidas se cruzaram e tanto um quanto o outro não se enxergaram.

Seria Deus nos reservando para este momento único?

Um momento mais consciente, onde há uma certeza de que todas as lições valeram a pena.

Cada desafio, cada perda, cada lágrima, porque elas nos fortaleceram, nos ajudaram a se reconhecer no meio da multidão.

O teu conhecimento completou o meu.

Nossas diferenças nos instigaram, se agregaram.

Nosso beijo selou a parceria que as nossas filosofias compartilhavam.

E nossas peles equacionaram a alquimia perfeita.

Transmutamos a matéria.

Ignoramos a razão.

Nossos corpos se encaixaram.

Somos um do outro, um pelo outro, um com o outro.

Somos dois, lado a lado, caminhando na mesma direção.

Somos paixão.

Desejo.

Eletricidade.  

E o mais gostoso de tudo, somos paz, muita paz e tranquilidade.

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A Menina Invisível

Você lembra daquela menina que ficava te olhando do canto?

Ela daria a vida por você.

Você chegou a reparar que os olhos dela brilhavam de admiração quando você falava ou colocava o seu talento em prática?

Ou como a pele dela arrepiava quando você tocava uma canção?

Emocionada, ela estava ali, aplaudindo a sua vocação.

Sabe aquela menina que te abraçava com vontade, que te escutava com carinho, que ficava quieta quando você descarregava as emoções que oprimiam o seu peito?

A mesma menina que secava as suas lágrimas.

Que te dizia: “Vai!

Eu te ajudo. É só segurar a minha mão.”

Eu sei, tem vezes que você fecha os olhos e lembra dessa menina.

Dos bons momentos que compartilharam.

Do vinho divido.

Das gargalhadas e piadas internas.

Dos perrengues superados.

Aquela menina que tantas vezes teve dificuldades para lhe dizer não.

Porque você era tão importante para ela, que mesmo quando parecia impossível, ela tentava de tudo para te dar um sim.

Ah, aquela menina, que sempre ficou em segundo plano.

Que você deixou para depois.

Que fingiu que ela não era tão importante.

Que fez parecer que não doeu quando ela te disse adeus.

Aquela menina era um anjo te protegendo.

Era Deus inspirando confiança e força quando você mais precisava.

Aquela menina resiliente, paciente, companheira, amiga.

Doce e apimentada.

Que sempre te perdoava.

Aquela menina que foi desaparecendo aos poucos.

Sofrendo calada.

Até que um dia sumiu.

E mesmo invisível aos seus olhos, acredite, aquela menina ainda te amava.

E te protegia.

E por ti zelava.

Só bastava você querer enxerga-la!