Você fala demais, Andréia!

sorria_capaSim, obrigada por avisar.

Eu nem imaginava.

Só que não – essa é a frase que mais ouço desde a época em que aprendi a andar.

Para de falar!

Para de se expor!

Por isso as coisas dão errado para você!

Será?

Se as coisas dão errado quando eu me exponho, é porque tem gente que se alegra com as minhas tristezas.

Invejam as minhas conquistas, mas não reconhecem as minhas batalhas.

Em quem está o problema, no sanguessuga obsessor ou em mim?

Para de falar mal dos homens!

Você não é a fodona, independente, que faz o que quer?!

É fácil me chamar de mal amada, quando o cara foi um babaca comigo e não me amou como poderia ter amado.

Certo seria ouvir ofensas, ser desrespeitada, usada, e ficar calada, quieta, sem nem fazer mímica ou esboçar qualquer tipo de reação?

Porque assim seria mais fácil para o “agressor”, não é mesmo?

Assim ele não precisaria lidar com uma possível culpa, ou consciência pesada.

Mas reflita, só nos ofendemos com aquilo que realmente somos, ou achamos ser.

Engraçado isso.

downloadHoje, devido as constantes exposições da vida no mundo virtual, você é proibido de ser de verdade.

A fantasia que comanda toda essa virtualidade!

Que loucura, estamos petrificados por fora, se desfazendo por dentro.

A regra é clara: seja feliz, de bem com a vida, saudável. No Instagram, no Facebook, no Twitter, e na próxima rede social que existir.

Aqui não tem espaço para erros, dor, ou lágrimas.

Ah, sim! Só para depoimentos pós-morte na timeline do desencarnado, isso pega bem, demonstra sensibilidade.

Não seja você.

Fale menos.

Use frases de efeito.

Seja engraçada.

Bem vestida.

Maquiada.

Sempre bem humorada.

Mas nunca MAL amada.

Bizarro, logo hoje, que a maioria das pessoas se quer sabem o que significa amar.

Ou o que é ser amigo de verdade.

Até porque, amigo é amigo e o respeito vem em primeiro lugar.

Pois é, ele não era o meu amigo, deixou o seu egoísmo sobrepor quando deveria me respeitar.

Foi só mais um bacaca mesmo.

Mas não foi o único, ele pode ficar tranquilo, por aqui passaram vários. (Ih, já sei, vou parecer vulgar!)

A culpa?

Bom, só se é culpado pelas escolhas que se faz.

De eu me sentir mal amada a culpa é minha mesmo.

Porque se eu tivesse me “bem” amado desde o início, não teria insistido na utopia de uma amizade, muito menos na possibilidade fantasiosa (da minha cabeça claro, ele não me inspirou em nada) de uma relação.

Cala a boca, Andréia!

Ninguém gosta de ouvir as verdades.

Ter que lidar com a realidade.

Eles não têm tempo, paciência ou vontade.

O povo quer mesmo é que você finja estar muito bem, obrigada.

Mas só finja, tá?

Porque no fundo, tua tristeza, tuas derrotas, teus sacrifícios e dificuldades são as substâncias que nutrem as mentes e os corações vazios.

Já falou demais. Menos, Andréia. BEM menos!

Está ficando feio para você.

Assim nenhuma empresa vai te contratar, ou nenhum homem se interessará.

Esqueceu que hoje vivemos de imagem?

Que pena que ser feio é ser transparente, com a cara lavada e dobrinhas em uma barriga, nem um pouco chapada.

Bonito é ser um avatar de si mesmo.

Sorrir, mesmo quando os olhos estão ardendo com as decepções, desesperados para chorar.

Sorrir mesmo querendo se matar.

Mas o fardo é meu, não é mesmo?

Que eu lide com ele bem quietinha, no meu canto, com a boca fechada.

Porque aqui não é lugar para chorar as pitangas, nem ali, muito menos lá.

A fachada é o que conta, além dela, só a sua melhor selfie contará.

Ops, só é importante ter cuidado com a sua sombra, porque, por mais que tente escondê-la, todos têm, e ela um dia será projetada, exposta, e assim como eu, julgada!

Recado Final

jjjPor que?

O que você procurava quando veio aqui?

A infelicidade alheia, realmente, nutre sua ambição? 

O que doeu mais, saber que eu tinha algo que você nunca vai ter?

Agora para. 

Pensa. 

Reflita.

Você também tem algo que eu nunca vou ter. 

Algo que eu sempre quis, mas que você e outra pessoa passaram por cima de uma terceira para ter.

Dessa maneira, eu fiz questão de não querer. 

Não por falta de oportunidade, mas por excesso de amor próprio.

Por respeito a vontade desta terceira pessoa.

E eu tive que aprender a conviver com isso. 

Tive que digerir toda essa situação. 

Tive que superar mágoas, preconceitos, frustrações. 

Você ganhou, eu reconheço a sua vitória. 

Uma vitória que nem longe eu gostaria de celebrar. 

Nunca gostei de ser feliz as custas da infelicidade alheia. 

Pelo contrário. 

Quem eu amo eu quero feliz. 

Ao meu lado ou não. 

Livre para ser quem é. 

Mas para você nunca foi amor, não é mesmo? 

Foi só egoísmo. 

Vaidade. 

Aí eu te pergunto.

Valeu a pena? 

Bom, a vitória é sua. 

Só te peço um favor. 

Esquece que eu existo. 

Nunca fui uma ameça, ou inimigo. 

Na minha cabeça e no meu coração eu vinha para somar. 

Eu só estava amando, plenamente. 

Um amor que eu acho que você nunca sentiu.

Um amor que enquanto você não aprender a se amar, jamais sentirá pelo outro. 

Por favor, não venha mais aqui. 

Não use mais as minhas palavras contra mim. 

Você não encontrará mais nada valioso nesta página.

Afinal nós não temos qualquer tipo de vínculo.

E assim eu pretendo permanecer.

Parabéns, você conseguiu!

Você fica com um prêmio, que com o tempo perderá o seu valor. 

E eu fico com a cicatriz de mais uma experiência, onde os pontos fracos da carne venceram, outra vez. 

aprender-a-dizer-adeus-2