“Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente…”

Entrei na correnteza e deixei as coisas fluírem.

Cansei de me esforçar nadando contra.

Abri mão do controle.

Embora, as vezes, caio na armadilha de tentar controlar isso ou aquilo.

Mas passa.

Decidi ser mais paciente.

Mais flexível.

Menos resistente.

Não mudei da água para o vinho.

Porém questionei muita coisa.

Questionei pensamentos, crenças, atitudes, carência.

Olhei para mim.

Não para a Andreia refletida em um espelho.

Olhei para dentro mesmo.

Fechei os olhos.

Registrei e interpretei os meus sonhos.

Parei de temer meus pesadelos.

Abracei qualidades que podem ser julgadas como duvidosas.

Abandonei pré-conceitos.

Me permiti.

Me abri.

Para a vida.

Para o amor.

Para as coisas acontecendo do jeito que tem que acontecer.

Na hora em que tem que acontecer.

Meus problemas desapareceram?

Não.

Mas mudaram.

Se transformaram.

Agora os nomeio como desafios.

O que antes era uma barreira, agora é motivação para pular mais alto.

Tenho dias muito bons.

E dias terríveis.

Mas está tudo bem.

Parei de me crucificar.

Até me julgo de vez em quando.

Me pego com crise de ansiedade, com medo.

Só que eu não fico parada diante dessas adversidades.

Eu olho para elas e as escuto.

Relaxo.

E passa.

O peito acalma.

A vida tem sido um rio interessante.

Tô meio que aproveitando a aventura, curtindo o caminho das águas, desviando de algumas pedras.

Me adaptando.

Curtindo a paisagem que passa apressada.

Deixando a vida fluir.

O rio da vida está me guiando e com ele a minha fé em mim.

“Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz…”

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Shadow

Eu não queria ser assim:

8 ou 80. Intensa. Muito emotiva. Viver tudo à flor da pele: do ódio ao amor. Questionadora. Ansiosa. Na defensiva.

Eu não queria ser:

Resiliente demais quando se trata do amor. Quando preciso compreender o outro.

Eu não queria:

Perder o controle sobre as minhas emoções quando presencio uma injustiça, ou quando tenho que lidar com a falsidade ou maldade alheia.

Eu queria ser assim:

Essa menina sorridente que todos enxergam mim. Essa menina forte, que não sofre por homem. Essa menina, que muitas vezes se faz menina, para não precisar sofrer as consequências dos julgamentos ao se posicionar como uma mulher.

Eu queria sim:

Saber jogar o jogo da conquista entre os gêneros. Saber me impor como mulher, como um ser humano digno de valor e respeito.

Eu queria:

Ser essa mulher inteligente e forte, que esperam que eu seja 100% do tempo. Ser essa mulher que escuta grosseria calada e com um sorriso no rosto. Essa mulher que se permite ser conduzida, abrindo mão do controle. Essa mulher que medita e nada a tira do equilíbrio interno. A mulher que tem o andar firme da empoderada que dança o stilleto. A mulher que não se sente vulgar ao sensualizar. Nem se sente “ab-usada” quando um homem expressa tesão por ela.

Mas eu aprendi que não adianta querer ser o que não sou. Ou negar a sombra que existe em mim. Sou tudo isso em verdade, ou em potência. E quanto mais negar, pior eu fico.

Aprendi que é hora de encarar, sentir a dor de aceitar, ME aceitar e ouvir a voz que diz: está tudo bem, ninguém é perfeito, você sempre poderá errar.

Aprendi que não preciso dar ouvidos às críticas, valorizar os julgamentos, sempre aceitar e me adaptar, afinal o outro também pode se esforçar um pouquinho mais. Não preciso tomar para mim toda essa responsabilidade de ser a mais madura, a mais compreensiva, a mais flexível, a bonequinha de luxo.

Entendi que o segredo é me encontrar no meio de tantas expectativas. Enxergar quem eu sou, sem a constelação imposta a mim. Saber a hora de me transformar e a de não mudar em nada.

Porque sou um indivíduo. Um ser único em constante aprendizado. Sou o meu lado mais doce e o mais sombrio. E não é errado saber exatamente quando utilizá-los. Acima de tudo aprendi que o certo mesmo é amar todos os meus lados, porque eles são o que eu tenho de melhor!