Sim, é covardia!

covarde

É covardia não informar uma pessoa que ela não faz mais parte da sua vida.

É covardia não dá a ela o direito de defesa. Ou ao menos uma explicação.

Foi covardia envolvê-la com as suas carícias e proteção, e depois descartá-la, como quem enjoa de uma camisa da última estação.

Covardia, no dicionário, denota falta de coragem, de atitude.

Foi muita covardia sumir da noite para o dia.

E não saber como explicar o porquê do sumiço.

Foi muita covardia exigir dela mais do que ela podia te dar.

E quando ela se esforçou tanto, você ignorar, menosprezar.

Foi covardia e falta de hombridade não sentar e conversar.

Foi mais do que covardia, foi desrespeito com a memória de vocês dois.

É covardia deixar que pessoas de fora influenciem e tornem a sua parceira uma culpada. Culpa que ela sem sabe do que é acusada.

É covardia não ouvir o seu coração.

Acreditar em uma suposição.

E no final, ceder à pressão.

É covardia com as lembranças do carinho, do prazer, da cumplicidade que vocês genuinamente compartilharam.

Foi covardia tornar uma teoria em uma verdade absoluta, passando por cima dos sentimentos dela.

É covardia com você passar por cima dos seus sentimentos e negar uma oportunidade ao futuro que poderiam ter vivido, por medo do que os outros iriam pensar.

Mas covardia maior seria dela se a teimosa não exigisse um espaço para contestar e tentar te fazer enxergar a realidade.

É uma luta perdida, ela sabe!

Mas essa menina tem uma força incrível, uma força chamada coragem.

Coragem para enfrentar qualquer decisão, coragem para defender a felicidade.

A sua. A dela. A de vocês três.

Estando juntos, ou separados.

Então, por favor, pare de ser mais um covarde!

coragem

Ironias da vida, ou coincidências do destino. Agora TUDO fazia sentido.

post marina e carlosEm Fevereiro, Marina escreveu uma carta para Cacá.
Ela colocou dentro de um envelope, junto de um postal.
Um postal de uma vinícola, aquela que produziu o primeiro vinho que compartilharam, celebrando a primeira noite na casa nova dela, em um dia de chuva e goteira na cama, dois anos atrás.
Lacrou o envelope e escreveu os endereços de destinatário e remetente.
Suspirou fundo, enxugou as lágrimas.
Pegou a carta e a guardou dentro de um caderno.
Toda a certeza que teve ao escrever na intenção de enviá-la, se foi quando passou a cola.
Desistiu de enviar. Sabia que se arrependeria se elas chegassem nas mãos de Carlos.
Dois meses se passaram desde que tinha desistido da carta, quando, no Rio de Janeiro, Carlos confessou o seu segredo – naquela manhã em que ela aparecera de surpresa em sua porta.
Ela se chocou com suas palavras, e mesmo sentindo-se enjoada, o perdoou.
Ele decretou o fim.
Marina voltou para a cidade onde morava e respeitou a distância não só dos seus corpos, como de seus sentimentos.
Aceitou que de Carlos só teria uma fria amizade e focou na sua carreira.
Mas a vida tem uma forma estranha de jogar as pessoas de volta para as lembranças, e foi quando fazia uma faxina em sua sala, um mês mais tarde, que, tirando o pó da mesa, a carta escorregou do caderno e foi parar em seus pés.
Nina ficou encarando aquele retângulo branco e resolveu abrir.
Queria ler o conteúdo daquela forma tão antiga de se comunicar. Já não lembrava mais quais desejos de seu coração registrou com tinta, no papel do caderno que mais gostava, um de pássaros.
Linha por linha, sentia o seu rosto se aquecer.
Ora sorria, tanta coisa havia mudado em sua vida profissional.
Ora refletia tamanha intensidade e sentimento.
Aquela Marina ainda não sabia a verdade e não tinha ideia do que viria a saber.
Quando estava no final, uma música começou a tocar no computador.
“Conveniente, não?”, perguntou para Deus, olhando para o céu e travando, em seu rosto, uma forte vontade de chorar.
Era a música que Marina, sempre que ouvia, pensava em Carlos.
 
“Cacá, te amo demais para conseguir te esquecer. Porém, eu posso me afastar, ou parar de declarar meu amor se você se sentir melhor assim. No fundo acho que gostaria mesmo é de, ao fechar os olhos, ter você me abraçando e falando em meus ouvidos que vai dar tudo certo, e que você não vai desistir de mim. Nunca.”
 
Agora tudo fazia sentido em sua cabeça. Foi a falta de fé um no outro que os separaram. Fé de que poderiam suportar qualquer coisa desde que estivessem juntos. Faltou a fé na intuição que gritava através de seus corpos ao seu amar. Ao contrário do que muitas vezes Marina quis pensar, ou Cacá quis que ela acreditasse, não foi falta de amor.
 
O amor sempre existiu, o amor entre eles sempre existirá.
 
A música que tocava o seu coração, as suas lembranças, e no computador:
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você“, música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, interpretada por Maria Bethânia.