Idiota.

mulher-na-internet“O que começa errado não acaba certo”, Anna leu na matéria do site Administradores. “Hum, nós não começamos errado, ou começamos? Dizem que devemos nos casar com o nosso melhor amigo. Se os que estão por trás do “dizem” estiverem com a razão eu peguei a via expressa do caminho certo.” – Suspirou, refletindo.

Eu preciso parar de nutrir esses sentimentos e pensamentos. Ele é meu amigo. Ele me enxerga como uma Samambaia. Talvez um chocolate suiço vestido de samambaia. Não importa. Ele não aparece aqui em casa há uma semana. Pode ter percebido alguma coisa. Tomara que não.

Se a lei da atração no Universo funciona, esse momento é configurado como a prova viva. Um sobio de passarinho adentrou o ambiente, era a notificação do celular dela informando que uma nova mensagem no whatsapp chegava.

_ “Oi lindinha sumida, vai fazer o que hoje?!”.

“Ah não, com tanta loucura passando pela minha cabeça esqueci completamente do Lê”, Nanna lembrou, colocando a mão esquerda sob a testa.

Leandro era o ficante casual que preenchia os momentos de carência de Anna. Depois do último relacionamento complicado que viveu, ela decidiu manter um “encontro casual” para os momentos de TPM e solidão profunda. Ele era atencioso, carinhoso e uma companhia bem agradável. Ela gostava dele.

Mensagem para Lê:

_ “Oi Lê, não sei ainda, como você está?!”

Mensagem para Anna Lindinha:

_ “Com saudades. Vamos comer um japa hoje? Te busco as 20h.”

Droga. Não sei se quero. Embora preciso dar um tempo de pensar nessa novela mexicana. Não, não posso sair com uma pessoa gostando de outra. Ou posso?! O que fazer meu Deus?! Me dá um sinal!

Assobio de passarinho. Mensagem para Nanna Pentelha:

mulher-chocada-blusa-vendo-tablet_ Pentelhinha não sabia que seria tão fácil. É hoje! – Imagem carregando – Print de uma conversa com a loura sem sal. Infarto. Pernas tremendo. Sensação de Desmaio. – eles tinham marcado SEXO, na casa dela, mais tarde.

Não, o IDIOTA não percebeu o que eu sinto por ele. Ahhhh. Que o símbolo de masculinidade dele caia e jamais levante. Filho da mãe. Que raivaaaa!

Mensagem para Rafa:

_ “Parabéns, você é um idiota! Não esquece do viagra, vai precisar.”

Mensagem para Nanna Pentelha:

_ “Anh?! Eu ein! Preciso nada. Ei, por que você está me xingando? Smile confuso.”

Mensagem para Rafa:

_ “Smile revirando os olhos. Esquece Rafael. Tô ocupada. Tchau.”

ÓDIO. QUE ÓDIO. Garota BURRA. Burra. Burra.

Mensagem para Lê:

_“Combinado Lê, te vejo as 20h. Emoticon de marca de batom vermelho.”

Mensagem para Anna Lindinha:

_ “Vem com aquela lingerie branca que te dei de aniversário, já estou com saudades dela também”.

Mensagem para Lê:

_ Smile pmalévolaiscando. Smile com carinha de diabo feliz.

Anna desatou a chorar. Não sabia se era de raiva. Se era de ciúmes. Ou se era por se sentir incapaz de lidar com essa nova situação. Incapaz de se fazer enxergar como mulher para ele.

Soluçando enxugou as lágrimas. Era hora de superar aquilo. Decidiu depilar as pernas e limpar a sobrancelha, sua noite seria longa, agitada e se tudo corresse bem, voltaria com um chupão gigante no pescoço e os hormônios mais equilibrados.

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Ela lembrando Dele

Bulging Suitcase on BedMarina pegou o celular e colocou sua playlist no modo randômico para tocar. Era hora de encarar aquele desafio clássico de todas as viagens: arrumar as malas.

Como odiava fazer isso! Espalhava milhares de coisas em cima da cama e quando percebia que nem metade caberia na surrada mala média de rodinhas tinha que desapegar de peça por peça, hidratante, por hidratante.

E lá estava ela na árdua missão “você vai”, “desculpa, você não”, quando a décima sexta música começou a tocar. Logo ela, a trilha sonora que catapultava os pensamentos de Nina direto para Cacá, Then do Brad Paisley.

Segurando a blusa azul de decote nas costas fechou os olhos e lembrou-se de Carlos enfiando sua mão por dentro dela, até alcançar seus seios e puxar com firmeza seu corpo de encontro ao dele. Estavam deitados de conchinha.

A cena passava perfeitamente em sua cabeça, com riqueza de detalhes, porque enquanto ele vazia isso, naquele ambiente mal iluminado pelo abajur, seus lábios sussurravam no ouvido dela o quanto era única, especial e importante na vida dele.

Foi uma das poucas vezes que ele se rendeu a expressar o que sentia por ela. Naquele dia sabia que a estava perdendo e resolveu se entregar. Desejou ter um futuro ao seu lado, pediu que ela sempre o amasse, pois um dia eles ficariam juntos.

O que sentia por ela era forte demais, o amor que faziam era a representação de uma conexão nunca antes vivenciada, era isso que os mantinham apaixonados um pelo outro, mesmo com tantas complicações.

Marina quis cortar aquela lembrança, abriu os olhos repentinamente e, com dificuldade, fechou o zíper da mala abarrotada. Não adiantava mais se apegar as palavras que ele declarara num ato de desespero.

Segundo o personagem Antonio Pastoriza, em uma das obras de Felipe Pena, “só se descobre um amor na iminência de perdê-lo”. E, ela estava certa sobre esta visão do autor. Embora, as atitudes de Cacá não correspondessem com suas frases, muito menos com as de outros escritores. Hoje, Nina tinha ciência que ele jamais faria acontecer um futuro com ela.

E foi por isso que ela resolveu focar no seu momento presente. Na viagem. Na calcinha de renda preta colocada dentro da nécessaire azul cintilante de grife – onde acomodava as calcinhas fio dental e as camisinhas. Queria matar a saudade de Fred. Queria ter certeza que ainda o seduzia com as suas variadas lingeries.

Daqui há 10 horas seu vôo partiria, e era neste futuro próximo que a “gatinha” estava se apegando…