Ironias da vida, ou coincidências do destino. Agora TUDO fazia sentido.

post marina e carlosEm Fevereiro, Marina escreveu uma carta para Cacá.
Ela colocou dentro de um envelope, junto de um postal.
Um postal de uma vinícola, aquela que produziu o primeiro vinho que compartilharam, celebrando a primeira noite na casa nova dela, em um dia de chuva e goteira na cama, dois anos atrás.
Lacrou o envelope e escreveu os endereços de destinatário e remetente.
Suspirou fundo, enxugou as lágrimas.
Pegou a carta e a guardou dentro de um caderno.
Toda a certeza que teve ao escrever na intenção de enviá-la, se foi quando passou a cola.
Desistiu de enviar. Sabia que se arrependeria se elas chegassem nas mãos de Carlos.
Dois meses se passaram desde que tinha desistido da carta, quando, no Rio de Janeiro, Carlos confessou o seu segredo – naquela manhã em que ela aparecera de surpresa em sua porta.
Ela se chocou com suas palavras, e mesmo sentindo-se enjoada, o perdoou.
Ele decretou o fim.
Marina voltou para a cidade onde morava e respeitou a distância não só dos seus corpos, como de seus sentimentos.
Aceitou que de Carlos só teria uma fria amizade e focou na sua carreira.
Mas a vida tem uma forma estranha de jogar as pessoas de volta para as lembranças, e foi quando fazia uma faxina em sua sala, um mês mais tarde, que, tirando o pó da mesa, a carta escorregou do caderno e foi parar em seus pés.
Nina ficou encarando aquele retângulo branco e resolveu abrir.
Queria ler o conteúdo daquela forma tão antiga de se comunicar. Já não lembrava mais quais desejos de seu coração registrou com tinta, no papel do caderno que mais gostava, um de pássaros.
Linha por linha, sentia o seu rosto se aquecer.
Ora sorria, tanta coisa havia mudado em sua vida profissional.
Ora refletia tamanha intensidade e sentimento.
Aquela Marina ainda não sabia a verdade e não tinha ideia do que viria a saber.
Quando estava no final, uma música começou a tocar no computador.
“Conveniente, não?”, perguntou para Deus, olhando para o céu e travando, em seu rosto, uma forte vontade de chorar.
Era a música que Marina, sempre que ouvia, pensava em Carlos.
 
“Cacá, te amo demais para conseguir te esquecer. Porém, eu posso me afastar, ou parar de declarar meu amor se você se sentir melhor assim. No fundo acho que gostaria mesmo é de, ao fechar os olhos, ter você me abraçando e falando em meus ouvidos que vai dar tudo certo, e que você não vai desistir de mim. Nunca.”
 
Agora tudo fazia sentido em sua cabeça. Foi a falta de fé um no outro que os separaram. Fé de que poderiam suportar qualquer coisa desde que estivessem juntos. Faltou a fé na intuição que gritava através de seus corpos ao seu amar. Ao contrário do que muitas vezes Marina quis pensar, ou Cacá quis que ela acreditasse, não foi falta de amor.
 
O amor sempre existiu, o amor entre eles sempre existirá.
 
A música que tocava o seu coração, as suas lembranças, e no computador:
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você“, música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, interpretada por Maria Bethânia.

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Marina colhendo o que plantou em Carlos

saudade-errada

Para: carlosmartins_79@gmail.com.

Assunto: Apenas Leia

Oi Carlos, tudo bem?
Você deve achar estranho esse meu contato. Levando em consideração que eu te pedi para sumir e nunca mais falar comigo.
Bipolar da minha parte, eu sei. Mas eu constantemente lembro de ti, mesmo tendo consciência que não nos falamos há meses e nada vai mudar.
Hoje faz um ano que eu decidi seguir em frente e deixar tudo para trás. Hoje faz um ano que troquei o calor do Rio pelo vento frio do Sul.
Sempre soube que não seria fácil recomeçar em outro lugar, porém menosprezei as dores que sentiria. Fiquei tão preocupada em fugir da gente, que não me dei conta que a mente é traiçoeira e jamais me deixaria esquecer do seu toque, dos seus olhos, do seu sorriso.
Cada livro, cada filme, cada casal que se forma e envelhece junto, cada pai solteiro cuidando de seu filho, tudo leva meu pensamento diretamente à você. Já são meses sem sentir sua pele roçando na minha. Sem me sentir segura com o seu abraço. E tudo o que penso é o quanto eu te queria por aqui, perto de mim.
A vida fica vazia sem um propósito. Sinto um buraco no peito quando deito a cabeça no travesseiro e me recuso a sonhar com você, com nós dois sendo apenas nós.
Durante muito tempo alimentei essa fantasia e como é difícil e dolorido ter que me que desprender dela.
Sinto sua falta. Sei que ainda preciso de ti para ser plena, para ser feliz. Embora sobreviva diariamente preparada para nunca mais te ver.
Espero que tudo esteja bem. Que sua vida tenha se ajeitado. E que a sua felicidade seja constante.
Não espero uma resposta e talvez assim seja melhor. Afinal, ter a certeza que você prefere me manter distante talvez me faça superar nosso amor, um dia.
Com carinho, Marina.